F-1: Ferrari joga a toalha por 2005

O diretor-geral da Ferrari, Jean Todt, um dos maiores responsáveis pelo excepcional período vivido pela equipe na Fórmula 1 de 1999 até a temporada passada, jogou a toalha, nesta terça-feira, quanto as chances de ser campeã este ano, no Mundial de Pilotos e Construtores. Em entrevista ao diário esportivo italiano Gazzetta dello Sport, afirmou: "Trabalhamos duro para melhorar o carro; nossos parceiros, os pneus, mas esses avanços se perdem em dois dias." Falou mais: "Não medimos esforços, mas não conseguimos progressos constantes. Para o GP da Alemanha teremos novidades aerodinâmicas, o que não quer dizer que representará uma evolução global do conjunto". Suas palavras não deixam de traduzir uma certa desilusão com a Bridgestone, fornecedora de pneus da Ferrari, acusada até pelo presidente da empresa, Luca di Montezemolo, de maior responsável pelo fraco desempenho no campeonato.Depois de 11 etapas, Michael Schumacher é o terceiro, com 43 pontos, e Rubens Barrichello, quarto, 31, bem distantes do líder Fernando Alonso, da Renault, com 77. Na competição por equipes, a Ferrari está em terceiro, com 74 pontos, ao passo que a Renault, primeira, já soma 102.Sobre a corrida de casa, dia 24, em Hockenheim, Schumacher declarou em seu site: "Adoraria lançar mensagens de otimismo, mas isso, agora, é complicado". Todt falou do seu piloto: "Michael apóia a Ferrari como sempre. Não dá para fazer comparações com o passado, não temos o mesmo carro." Já Rubinho reagiu com energia quando lhe perguntaram, em Silverstone, domingo, se não seria o caso de esquecer este Mundial e passar a concentrar as atenções no projeto de 2006: "Aprendi que você não pode fazer isso na Fórmula 1. É transferir os problemas de hoje para o futuro. Temos, sim, de compreender as razões de não sermos mais competitivos e aí sim conceber o modelo do ano que vem." Surpresa - Flavo Briatore deu sinais nítidos de distensão na luta entre as nove equipes da Fórmula 1 (a exceção é a Ferrari) e Max Mosley, presidente da FIA. Em entrevista para o jornal alemão Welt am Sonntag, o diretor da Renault afirmou: "Essa discussão não tem sido uma guerra e nunca será." Há uma sensível disposição dos dois lados de contemporizar e encontrar uma solução conjunta. "Max tem feito um bom trabalho, é inteligente e possui boas idéias", declarou, surpreendentemente o italiano. "Precisamos de uma Fórmula 1 forte, emocionante, segura e menos cara. Para isso necessitamos da união de todos, da autoridade do presidente da FIA e da presença da Ferrari, pelo atração que exerce." Outro dado claro de que o radicalismo está dando espaço a soluções de compromisso é a reunião agendada entre Mosley e Ron Dennis, da McLaren, e Christian Horner, da Red Bull. Briatore conclui a conversa com um convite: "Vamos ter um encontro, com Bernie Ecclestone e Max, encontrar a nossa direção." A ameaça de um campeonato paralelo está cada vez mais distante.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.