F-1 fica sem regras para limitar treinos

A rebelião das nove equipes no GP Brasil do ano passado, em Interlagos, além de não ter atingido o objetivo principal do movimento, reduzir drasticamente o número de testes na Fórmula 1, gerou tanta confusão que agora não há mais regras para controlar esses ensaios. A Ferrari, por exemplo, está treinando desde esta segunda-feira em Monza. Até antes da rebelião de São Paulo, em setembro, o regulamento proibia treinos na semana de GP. Agora vale tudo.A Ferrari se sente no direito de fazer o que desejar. Ano passado, em Interlagos, as nove demais equipes da Fórmula 1 resolveram, por conta própria, estabelecer um corte de 50% no número de dias de testes.Durante o campeonato, cairia de 48 para 24. Como era necessária a aprovação de todos os times para entrar em vigor e a Ferrari não concordou, ficaria tudo como estava. Ocorre que os nove rebelados também não concordavam mais com a manutenção das regras anteriores. Com isso, não há nada que limite hoje essas práticas.Assim, a Ferrari, que está atrás na classificação, se ampara na ausência de regulamento para treinos particulares e trabalha até na semana de GP, o que antes era proibido por unânimidade. Já durante os dias de disputa do GP da Malásia, em março, a Ferrari fez o mesmo, o que levou os chefes das demais equipes a manifestarem seu inconformismo com a reação dos italianos. Nesta segunda, indiferente a tudo e todos, a Ferrari testou novos pneus para a Bridgestone em Monza, com Luca Badoer.A Bridgestone confirmou nesta segunda-feira, através de seu diretor-esportivo Hiroshi Yasukawa, a estréia de novos pneus no GP de San Marino, no fim de semana em Ímola, na Itália. Desde a prova de Bahrein, dia 3, os japoneses vêm ouvindo que a Ferrari não está vencendo na Fórmula 1, como antes, porque seus pneus não têm a mesma eficiência dos Michelin, marca usada pela Renault e Toyota, as duas melhores do Mundial até agora. Os novos pneus Bridgestone, produzidos a partir do aprendizado este ano, vão equilibrar a competição, dizem os japoneses.Baseado nisso e nos testes que realizou nos dois circuitos da Ferrari, Fiorano e Mugello, Michael Schumacher afirmou, semana passada, que a equipe está pronta para lutar pela vitória de novo. E Jean Todt, diretor geral da Ferrari, afirmou que enganam-se os que acreditam que a Ferrari está muito distante da Renault, vencedora das três etapas disputadas, Austrália, Malásia e Bahrein. Na Renault, aliás, não há ordens de equipe, nem escondidas, lembrou seu diretor, Flavio Briatore."Se Fernando Alonso e Giancarlo Fisichella estiverem lutando pelo título, a direção da escuderia não irá interferir."

Agencia Estado,

18 de abril de 2005 | 19h21

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