F-1: incertezas na etapa de abertura

Sob calor intenso, os mecânicos da Ferrari e da McLaren montavam, hoje no circuito Albert Park, os novos modelos de seus times, o F2001 dos italianos e o MP4/16 dos ingleses. Carros que já na sexta-feira (quinta à noite no Brasil) estarão iniciando a disputa da 52ª temporada da história da Fórmula 1. Várias incertezas cercam a etapa de abertura do Mundial: todos os times foram aprovados nos testes de resistência (crash test) da Federação Internacional de Automobilismo (FIA)? O que acontecerá com o piloto cujos pneus apresentaram desgaste demais, tornando-se lisos (hoje eles têm quatro sulcos)? Mais: todas as escuderias irão mesmo aguardar até o GP da Espanha para introduzir a eletrônica em seus carros?Por conta possivelmente da mudança de regulamento, o que exigiu que cada diretor-técnico desenvolvesse soluções próprias para o desafio, não é permitido a ninguém se aproximar dos boxes da Ferrari e da McLaren em Melbourne. Há biombos fechando as entradas, assim como fitas de isolamento mantém todos a uma distância, supõe-se, segura. Dentre as demais equipes o clima é de maior distensão. O presidente da FIA, Max Mosley, deve pronunciar-se amanhã sobre o resultado dos últimos crash tests. Existe o risco dos times que não foram aprovados não competirem na Austrália. "Não acredito nessa hipótese, mas não a descarto", afirmou Mosley, recentemente. Ele adiantou, entretanto, as consequências de um piloto ser surpreendido com os pneus lisos pelo uso: "Nenhuma!", afirmou o dirigente.Pierre Dupasquier, engenheiro-chefe da Michelin, está ameaçando recorrer à justiça se, no fim dos treinos e corridas, os pneus de seus concorrentes, os pilotos da Bridgestone, estiverem lisos, perderem os quatro sulcos exigidos pelo regulamento. "Temos informações precisas de que nessas condições os pneus superaquecem as extremidades de suas bandas de rodagem, fazendo com que o carro perca desempenho", explicou Mosley, hoje na Europa. "Se ele começar a ganhar performance iremos agir. Por enquanto não há necessidade." O presidente da FIA prometeu também aumentar a vigilância para que o controle de tração, o câmbio automático e o diferencial eletro-hidráulico sejam incorporados aos carros apenas a partir da prova de Barcelona, quinta do campeonato, dia 29 de abril. "As punições serão exemplares", garantiu Mosley.Michael Schumacher e Mika Hakkinen já estão na Austrália, adaptando-se ao fuso horário de 10 horas a mais que na Europa (14 em relação a Brasília), e apenas amanhã irão para o circuito. Os quatro brasileiros inscritos no Mundial são também esperados: Rubens Barrichello, da Ferrari, Luciano Burti, Jaguar, Enrique Bernoldi, Arrows, e Tarso Marques, European Minardi. Hakkinen já adiantou que, diante dos problemas de motor e câmbio que o modelo MP4/16 vem enfrentando, suas perspectivas para a corrida de Melbourne não são as melhores. "É verdade, podemos ter um início difícil, mas confio que seremos campeões novamente." Segundo se comenta na Fórmula 1, as quebras dos motores Mercedes nos testes de pré-temporada estariam relacionados à proibição do uso de ligas metálicas à base de berílio, elemento químico raro, bastante caro e com propriedades cancerígenas, daí a FIA banir seu uso. A Mercedes utilizava essas ligas mais de outros construtores de motores.A Ferrari se apresenta para a prova com pelo menos três vezes mais quilômetros percorridos que a McLaren, o que aumenta sua responsabilidade. O modelo F2001 foi capaz também de simular com sucesso um GP, tanto com Michael Schumacher quanto com Rubens Barrichello, embora os tempos conquistados em Mugello não tenham entusiasmado ninguém. A McLaren sempre falhou nessas experiências de reproduzir um GP nos treinos, daí o pessimismo de Hakkinen.Hoje, Ron Dennis, sócio e diretor da McLaren, previu que haverá bem mais pit stops durante as disputas. "A guerra dos fabricantes de pneus fará com que cada um ofereça a seus times pneus mais velozes, mas ao mesmo tempo com a característica de se desgastar mais facilmente." A importância que ele está dando ao fato é tal que o ex-engenheiro de David Coulthard, Pat Fry, se ocupará agora apenas de estabelecer a melhor estratégia da McLaren nos dias de GP. "Se você lembrar que Michael Schumacher foi campeão do mundo, ano passado, porque saiu na frente de Mika Hakkinen, depois do seu pit stop, em Suzuka, terá aí uma idéia do peso da estratégia hoje na Fórmula 1", comentou Fry, hoje, em Melbourne.

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