F-1: Michael deixa Ralf revoltado

Ralf Schumacher não demonstrou nenhum entusiasmo a seu irmão, apesar da vitória de Michael, quando os dois se encontraram ao deixar seus carros, logo depois da bandeirada. Na largada, Ralf, segundo no grid, ganhou mais velocidade que Michael. O piloto da Ferrari jogou seu carro para a direita e foi espremendo o irmão entre a sua Ferrari e o limite da pista até que ele tirasse o pé do acelerador para não bater, o que garantiu o primeiro lugar a Michael. "Não quero comentar o estilo de pilotar de meu irmão", disse Ralf, com tanta raiva que sequer falou com a imprensa alemã. "É melhor eu não dizer nada agora para não criar problemas." Michael se defendeu: "Para que minha estratégia desse certo, sabia que ele não poderia me ultrapassar na primeira curva", explicou. "Agi no limite do regulamento para manter-me na frente." Frank Williams comentou a manobra de Michael. "Isso é coisa para os dois irmãos resolverem. O importante é que eles não se acidentaram." Já Montoya, sempre tão crítico com Ralf, desta vez o apoiou: "Ele tem toda a razão de estar revoltado. Estava logo atrás deles e pude ver a agressividade de Michael." Se Ralf tivesse tomado a ponta na largada, dificilmente Michael o teria ultrapassado, ainda que nas primeiras voltas a Ferrari fosse mais rápida que a Williams. "Os pneus Michelin demoram um pouco mais para atingirem sua aderência ideal", explicou Ralf.A boa notícia do GP da Europa para a F-1 é que a Williams quase venceu num pista não só formada por longas retas interrompidas por curvas de baixa velocidade, como as de Ímola e de Montreal, em que Ralf chegou em primeiro. Os 4.556 metros do circuito alemão apresentam curvas de baixa, média e alta velocidade, ou seja, o chassi está mais à prova. A Williams não tem só motor, BMW, e pneus, Michelin. O modelo FW23 se mostra a cada etapa mais e mais avançado. "Antes de vir para cá imaginava, no máximo, somar alguns pontos", disse Frank Williams."Estou surpreso com a adaptação do nosso carro a Nurburgring." Chances de a sua equipe ser campeã? É a pergunta a Frank Williams."Para conquistar um título é preciso ser rápido em todas as pistas, dispor de um equipamento confiável, o pessoal da fábrica e dos box não errar, dentre outras coisas", disse o dirigente. "Não acho que já estamos preparados com tudo isso." Já Patrick Head, diretor-técnico e sócio de Frank Williams, previu que seu time irá vencer outras etapas do Mundial este ano.Montoya atribuiu seu bom desempenho ao fato de não ter enfrentando nenhuma pane mecânica na sexta-feira e no sábado, o que o permitiu classificar-se bem. "Pude trabalhar bem o carro", falou. "Sei que poderia tentar lutar com Michael pela vitória, depois do segundo pit stop, mas como os riscos seriam muito elevados, recebi ordens para manter-me em segundo." Não houve contestação de Ralf e de ninguém da Williams para a sua punição de stop and go, cumprida na 40.ª volta. "Fiquei tão preocupado com o tráfego que vinha na pista que demorei demais para tirar os olhos do espelho", explicou Ralf. "Apesar de saber que poderia ter vencido diante da minha torcida, tenho de aceitar a pena." O piloto passou mesmo com as rodas do lado esquerdo sobre a faixa que separa a saída de box da pista. Michael havia passado sobre a faixa branca da entrada de box e chegou a ser questionado sobre isso. "Aqui é permitido cruzá-la, chegamos a discutir isso na reunião com o diretor de prova." Depois Michel lembrou que em Interlagos não é permitido cruzar as faixas de entrada e saída, por causa da perigosa entrada de box do circuito.

Agencia Estado,

24 de junho de 2001 | 15h38

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