F-1: novo regulamento é quebra-cabeça

Compreender bem cada detalhe do novo e complexo regulamento tornou-se um desafio tão grande para as equipes quanto desenvolver carro e pneus que atendam às exigências criadas por ele. Nesta quinta-feira o diretor de corrida da Fórmula 1, o inglês Charlie Whiting, reuniu-se com os representantes dos times e mais tarde com a imprensa para esclarecer e até combinar procedimentos em situações não previstas. "As dúvidas eram muitas e nem todas foram dirimidas, pode ter certeza", disse Steve Nielsen, chefe da Renault.Para o telespectador ficou um pouco mais difícil entender a competição, ao menos em princípio. A simulação de algumas situações pode ajudar a compreendê-la. Por exemplo: o que dizem as novas regras sobre os pneus na primeira sessão de classificação, nesta sexta-feira a partir das 23 horas (horário de Brasília)? Serão os mesmos que usarão sábado, na segunda classificação, e os mesmos na corrida, à zero hora de domingo no horário de Brasília.Mas se o piloto tiver um problema com os pneus? Pode substituí-lo nos casos de furo, explosão ou mesmo sua segurança estiver comprometida. Aí começam os problemas em razão da subjetividade da regra. "Vamos analisar cada caso. Se acharmos que o piloto parou para trocar o pneu apenas para ser mais veloz nós lhe aplicaremos um minuto de pena ao seu tempo no fim da corrida", explicou Whiting. Importante: enquanto o piloto faz o pit stop para trocar o pneu a equipe não pode reabastecer o carro.Se chover, como fica? O piloto pode parar no box, substituir os pneus e ainda reabastecer. Se a pista voltar a secar? Pode substituir os pneus de novo, mas pelos mesmos pneus para pista seca que estavam no carro e também, se desejar, reabastecer o carro. Só será permitido trocar o pneu de lado até depois da segunda classificação, antes da corrida. Ao transferir os pneus do lado direito para o esquerdo ou vice-versa a tendência é de o carro ser mais veloz.E se, nesta sexta, na primeira classificação, um piloto errar a freada, achatar o pneus, ou fritar como se diz, ele poderá substituir esse pneu? Pneu "fritado" ou achatado, por ser arrastado no asfalto numa freada, com a roda parada, pode ser trocado por um do lote de usados.Ainda assim os comissários irão julgar a necessidade. "Depende de quanto ele ficou com a face achatada", explica Whiting. De novo o tema é subjetivo. Esses pneus achatados provocam enorme vibração no carro e a equipe tem como alegar razões de segurança. Poderá haver confusão. É quase impossível estabelecer um critério claro para essas situações.O motor é outro componente do novo regulamento. Terá de resistir a dois GPs inteiros, ou seja, treinos livres, classificatórios e as duas corridas. Se houver necessidade de troca, o piloto perderá dez posições no grid. Uma segunda troca dá mais dez posições de pena, o que equivale a largar em último. O problema é que o texto da regra diz que o piloto que não receber a bandeirada numa corrida pode substituir o motor na seguinte.Assim, se um piloto achar que sua colocação não é boa naquela prova, pára antes da linha de chegada, a fim de não receber a bandeirada e disputar o GP seguinte com motor novo. "Mais uma vez vamos examinar tudo. Se percebermos que não houve problemas com o carro, o piloto será punido. Ainda não sabemos qual será essa punição", falou Whiting. Essas são apenas algumas situações previstas pelas novas regras, dentre tantas possíveis. E já deu para compreender que poderão gerar discussões sérias.

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