F-1 pára e lembra terror nos EUA

Não há registro na história recente da Fórmula 1 de cena semelhante a vivida ontem no autódromo de Monza pelos 5 mil profissionais que se deslocam com a competição pelo mundo todo. Exatamente ao meio-dia, como em muitos países da Europa, todos abandonaram suas atividades e dirigiram-se para a frente dos boxes. Expressões ainda mais fechadas do que normalmente carregam, prestaram sua homenagem às vítimas nos atentados ocorridos nos Estados Unidos com um minuto, cronometrado, de silêncio, seguido de palmas."The life goes on (A vida continua)", disse Bernie Ecclestone, o promotor do espetáculo. Ele defende a realização do GP dos Estados Unidos, dia 30, etapa seguinte do Mundial. "Somos esportistas, talvez o que fazemos seja capaz de deslocar um pouco toda essa gente do drama que estão passando", falou Jarno Trulli, da Jordan, aplaudido por muitos pelo discurso. "Se deixarmos de realizar aquilo que havíamos planejado estaremos dando ainda mais força aqueles que realizaram os atos terroristas", lembrou Flavio Briatore, diretor da Benetton.A não ser a ação coletiva desta sexta-feira, não houve manifestações particulares de menções às vítimas. "O que mais podemos fazer?", questionou Michael Schumacher. "Acho que as nações devem dar todo o apoio possível para que se criem mecanismos a fim de evitar novos atentados", falou Michael, o campeão do mundo de 2001. Já seu irmão, Ralf, expôs ponto de vista oposto: "Não deveríamos disputar esta corrida tampouco viajarmos para os Estados Unidos. Irei sozinho para lá, sem a minha esposa, bem como não recomendarei a nenhum amigo que me siga."Do outro lado dos boxes, nas arquibancadas, não há nada que possa remeter alguém ao clima de festa preparado pela Ferrari para comemorar a conquista dos títulos de pilotos e de construtores. Até mesmo o número de pessoas ficou muito aquém do esperado. "Acho que o medo de novos incidentes, o frio e a possibilidade de chuva contribuíram para isso", analisou o torcedor Enrico Bruzzi.As muitas faixas que há anos compõem a tradição do GP da Itália resumiram-se a poucas manifestações de apreço aos ídolos. Jean Alesi, hoje na Jordan, não sai dos corações do tifosi, apesar de já ter deixado a Ferrari no fim de 1995. Poucas vezes a sexta-feira do GP da Itália, prova que começou a ser disputada em 1922, foi tão triste como nestasexta-feira, assim como em talvez nenhuma outra ocasião o evento ganhou tão pouco espaço na mídia. Os episódios dos Estados Unidos continuam dominando a imprensa.

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