F-1 realiza treinos em Silverstone

Com exceção da Minardi, as dez demais equipes da Fórmula 1 iniciam, a partir desta terça, em Silverstone, uma série de quatro dias de testes. Até a Ferrari vai treinar na Inglaterra, o que raramente acontece. As características dos circuitos das próximas cinco etapas do Mundial nada têm a ver com as da pista de Monte Carlo, onde, domingo, David Coulthard da McLaren, venceu a sétima etapa da temporada.Dia 9, em Montreal, e depois em Nurburgring, na Alemanha, em Silverstone, na Inglaterra, em Magny-Cours, na França, e em Hockenheim, na Alemanha, as médias horárias irão superar os 200 km/h, em contraste com os 149,2 km/h registrados por Coulthard para completar as 78 voltas do GP de Mônaco. É por esse motivo, principalmente, que apesar da falta de dinheiro quase todas as escuderias começam a testar seus novos pacotes aerodinâmicos, bem como novas versões de motores.A Williams, por exemplo, trabalhará com seus dois pilotos titulares, Juan Pablo Montoya e Ralf Schumacher, parar testar componentes do carro que irá estrear no GP da Grã-Bretanha, dia 7 de julho, o FW24. Seu plano é produzir um monoposto cerca de meio segundo mais veloz por volta que o atual, FW23, e aproximar-se assim do desempenho da Ferrari.A Jordan experimenta um novo motor Honda e profundas alterações no seu conjunto aerodinâmico, hoje ao lado do motor, o maior responsável pela performance de um carro de Fórmula 1.Os três pilotos brasileiros que disputam o Mundial participam dos treinos, enquanto o líder do campeonato, Michael Schumacher, da Ferrari, com 60 pontos, contra os 27 de Juan Pablo Montoya e Ralf Schumacher, descansa na Suíça, onde reside. Rubens Barrichello e Luca Badoer trabalharão pela Ferrari, enquanto o quarto piloto, Luciano Burti, faz testes de pneus para a Bridgestone em Monza.Quanto aos pneus, o diretor da Bridgestone, Hisao Suganuma, comentou que na próxima edição do GP de Mônaco sua empresa deverá pensar em produzir pneus que sejam mais velozes no sábado, durante as 12 voltas da classificação, e não no domingo, na corrida, realizada em 78 voltas. Diante da impossibilidade de se ultrapassar no principado, de nada adianta desenvolver um pneu que seja rápido e constante para a prova. Pode-se fazer um pneu mole que permita elevado desempenho no sábado, a fim de garantir um lugar na primeira fila e pronto. Esse pneu pode até nem ser muito eficiente no domingo que não fará diferença. Seu raciocínio é esse. Já Pierre Dupasquier, da Michelin, vencedora em Mônaco com a McLaren, por adotar essa política, lembrou que o primeiro lugar nas ruas de Monte Carlo não significa a virada da marca francesa no Mundial. Ela havia perdido as quatro etapas anteriores para a Bridgestone, marca usada pela Ferrari. "Produzimos um pneu bem mole para Mônaco, não experimentado em corrida até domingo, e que não pode ser usado no Canadá, onde o consumo de pneu é bem mais elevado." Coulthard demonstrou consciência ao comentar, depois do pódio, que a McLaren talvez não tenha outra chance de ganhar uma prova na temporada. "Quando compreendemos que havíamos ficado para trás, tínhamos de aproveitar a oportunidade de vencer em Mônaco onde as diferenças entre os concorrentes ficam menores." Mario Illien, diretor da Ilmor, empresa que projeta e constrói os motores Mercedes, explicou que a equipe utilizou a telemetria bidirecional para ajustar o carro de Coulthard, domingo, quando começou a sair uma fumaça branca por trás, na altura da 30.ª volta. "Havia excesso de óleo no reservatório e nós interviemos, dos boxes, evitando a perda", explicou sem convencer muito. A telemetria bidirecional permite que, via ondas de rádio, vários parâmetros do carro possam ser reajustados. Esse recurso voltou a ser liberado este ano pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA).A entidade deve definir nesta terça se Jarno Trulli, da Renault, conquistou mesmo o quarto lugar no GP de Mônaco. A inspeção técnica depois da corrida detectou a ausência de um selo no computador de gerenciamento do motor, câmbio e outros sistemas. Esse selo é a garantia de que todos os programas existentes já foram previamente analisados pela empresa credenciada pela FIA e, portanto, sua utilização é legal. Se ele for desclassificado, Giancarlo Fisichella, da Jordan, passa para quarto, Heinz-Harald Frentzen, Arrows, quinto, e Rubens Barrichello soma mais um ponto aos 12 que tem, por ficar em sexto.

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