F-1 reprova nova classificação

Ao mesmo tempo em que a obrigação de disputar a corrida com um único jogo de pneus e dois GPs com o mesmo motor já arranca até alguns elogios na Fórmula 1, o novo sistema de classificação para o grid de largada não agradou quase ninguém. "A Fórmula 1 precisa simplificar o seu fim de semana?, diz Flávio Briatore, diretor da Renault.Na prova de Melbourne, o GP da Austrália, há uma semana, os pilotos saíram à pista um a um, sábado à tarde, de acordo com a ordem inversa na etapa anterior, no caso a última de 2004, no Brasil. Como podiam abastecer depois, os pilotos deram tudo de si e exigiram a fundo de seus carros. O próximo treino, o segundo classificatório, foi disputado domingo de manhã, a partir das 10 horas. O tempo de cada piloto proveio da soma dos tempos da primeira e segunda classificações."Não estamos mais transmitindo a sessão que define o grid?, explica um integrante da equipe da RTL, a TV alemã que detém os direitos da F-1. "No domingo, pela manhã, nossa programação já estava acertada. Por isso não iremos transmitir o treino classificatório?, comenta a fonte da RAI, a TV italiana. Além de reprovado pela própria F-1, o novo formato de disputa atingiu quem paga a maior parte da conta, as emissoras de TV, terreno explosivo."Não posso concordar com um sistema em que você, por alguma razão, como no meu caso aqui na Austrália, tem problemas um dia e, por isso, compromete todo o fim de semana?, afirmou Michael Schumacher. Choveu no instante em que estava na pista, na primeira classificação, e por melhor que fosse seu desempenho na segunda classificação, não haveria como recuperar-se, já que sua colocação no grid foi dada pela soma da primeira com a segunda classificação."Reforço minha proposta: uma hora de classificação, sábado à tarde, com os pilotos decidindo a hora que desejarem entrar na pista para marcar seu tempo, como era antigamente?, falou Jean Todt, diretor geral da Ferrari. "É tudo muito complicado. O computador nos dá, durante a segunda sessão classificatória, apenas o tempo já somado ao da primeira?, lembrou Briatore. "Para saber o tempo do meu piloto precisava ficar olhando a televisão, que por uns dois segundos expunha o tempo da volta, além da soma.?Curiosamente, Bernie Ecclestone, promotor do campeonato, já afirmou mais de uma vez: "Prefiro 10 ou 12 pilotos lutando pela vitória, o autódromo vazio, e todos assistindo pela TV do que 20 pilotos na corrida e as arquibancadas cheias.? A Fórmula 1 sempre foi um evento para a TV porque atinge milhões de telespectadores no mundo todo. Foi fundamentalmente por causa da TV que se transformou num megashow. Ecclestone nunca se preocupou com os 50, 60 ou 100 mil espectadores que o assistem nos circuitos. Ao adotar a definição do grid para o domingo de manhã, o dirigente não só revê postura histórica como surpreende as emissoras e os fãs da competição, em razão da quase inviabilidade de transmitir o segundo e decisivo treino classificatório.Os patrocinadores das equipes já reclamaram também: suas marcas serão bem menos expostas, já que as emissoras de TV se recusam a transmitir essas sessões. "Sou homem de marketing, negócio, vou estranhar muito se Ecclestone não compreender o erro cometido e não voltar atrás já?, comenta Briatore. Diante de tamanha interferência, não será de se estranhar se já no GP de San Marino, dia 24 de abril, a F-1 tiver novo formato para o seu programa.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.