F-1: Reservas correm atrás de grana

O paranaense Ricardo Zonta, 29 anos, 36 GPs, três sextos lugares, não tem mais o mesmo sonho de 1999 quando chegou à BAR disposto a seguir o caminho dos grandes pilotos brasileiros na Fórmula 1. Agora, piloto de testes da Toyota, o que ele deseja é fazer o melhor trabalho possível e receber o salário ? bem menor que o dos titulares Ralf Schumacher e Jarno Trulli ? no fim do mês.?Tive oferta para correr na Champ Car nos Estados Unidos. Seria o primeiro piloto de uma equipe de ponta. Mas ponderei bem e achei que é melhor ficar na F-1, mesmo sem participar de corridas. Aqui o esquema é muito mais profissional?.As equipes da F-1 chegaram a um grau de desenvolvimento que não podem abrir mão de pilotos mais experientes nos testes. ?Não adianta colocar um piloto novo pois ele não vai dar as informações que a equipe precisa. Essa é minha tarefa. Por enquanto,? justifica o austríaco Alexander Wurz, piloto de testes da McLaren.Wurz, 31 anos, correu entre 1997 e 2000, chegou a ser apontado como ?grande revelação? mas acabou passando a piloto de testes em 2001 e continua cumprindo bem seu papel. Em Interlagos foi o mais rápido no treino de sexta. Zonta, ao longo da temporada, cravou cinco vezes o melhor tempo também nos treinos de sexta. Mas não pôde disputar nenhuma corrida já que os dois pilotos da Toyota não sofreram nenhuma indisposição que os tirasse de um GP.Em 2006, se as regras não forem alteradas ? isso ainda poderá ocorrer ? nem Wurz nem Zonta terão o pequeno prazer de participar dos treinos de sexta. Como a McLaren e a Toyota estão entre as equipes que mais pontuaram, as equipes não terão direito a um terceiro carro no treino de sexta. Neste caso, as atividades dos dois pilotos ficarão restritas aos treinos coletivos para o desenvolvimento dos carros.Situação semelhante é a de Antonio Pizzonia, 25 anos, também considerado revelação quando terminou uma bem sucedida temporada de F-3 inglesa e estreou na Jaguar no começo de 2003. Alternando boas e más atuações, Pizzonia tornou-se piloto de testes da Williams. E apesar de participar de algumas provas, este ano, marcando pontos na Itália, nada indica que ficará com a vaga em 2006. Se a Williams confirmar Mark Webber e Nico Rosberg para o ano que vem, não será surpresa se Pizzonia aceitar um convite para correr nos EUA e abandonar de vez a F-1. ?Eu ainda espero uma chance. Mas se não der vou levantar a cabeça e partir para outra?, disse em Interlagos.Para Ricardo Zonta, os pilotos de testes que teriam condições de assumir qualquer volante na F-1 são os espanhóis Pedro De La Rosa, da McLaren, e Marc Gené, Ferrari.

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