F-1 retoma rumo da eletrônica

Quando os pilotos deixarem os boxes, sexta-feira de manhã, no primeiro treino livre do GP da Espanha, não deverá existir um único cidadão no Circuito da Catalunha, em Barcelona, que não vai estar muito atento a tudo o que se passará na pista. A Fórmula 1 retomará o rumo da eletrônica, hoje um tanto restrita nos carros. Controle de tração, câmbio automático e diferencial ativo são as novidades tecnológicas da prova. Mas o que muda para os pilotos a volta desses recursos? Unanimemente, esses profissionais dizem que as alterações começam já nas largadas. ?Elas perderão um pouco da sua graça, onde podemos ganhar ou perder algumas colocações?, diz Luciano Burti, agora da Prost Grand Prix. ?As vantagens em termos de tração são grandes?, explica o ex-piloto da Jaguar. ?Nos testes que fizemos, chegamos aos 100 km/h meio segundo mais rápido.? Normalmente, esses carros necessitam de 3,2 segundos para sair da estagnação e atingir 100 km/h. Com o controle de tração e o difencial ativo, essa velocidade é atingida em 2,7 segundos. Rubens Barrichello, da Ferrari, como Burti, vê nessa mecanização do prodecimento de largada uma forma de nivelar por baixo a competição. ?Os que têm mais sensibilidade para controlar o pedal do acelerador certamente sairão perdendo.? Até a corrida de Ímola, dia 15, as rodas motrizes girarem em falso ou não na largada dependia, basicamente, da aceleração imposta pelo piloto e o uso correto da embreagem. A partir de domingo, basta ao piloto manter o acelerador no curso máximo. O resto ficará por conta da eletrônica embarcada, a existente a bordo dos carros. O controle de tração, oficialmente, estará na maioria dos carros na Espanha. O que ele faz? Ele rompe a solidariedade entre a posição do pedal do acelerador e as rotações do motor. Ou seja, o mesmo curso do acelerador pode significar diferentes níveis de rotação do motor. Tudo irá depender da velocidade com que as rodas motrizes estarão girando. Numa saída de curva, por exemplo, se os sensores de velocidade detectarem que a roda traseira interna à curva está girando bem mais que a externa, está havendo perda de tração. O computador que gerencia o motor corta a ignição de quantos cilindros forem necessários para a potência desenvolvida ser menor e, consequentemente, as rodas passarem a tracionar melhor. O piloto pode até permanecer com o pé no curso máximo do pedal do acelerador. ?No asfalto seco as vantagens ficam na casa dos três décimos de segundo, enquanto no piso molhado o controle de tração permite ser até dois segundos mais rápido?, explica Burti. Os pilotos poderão dispor do diferencial ativo, ou eletro-hidráulico, em Barcelona. A grande diferença para o existente hoje é a liberdade para alimentar o computador que o gerencia. As cargas de frenagem são os dados mais importantes, antes proibidos. Conhecendo essa carga, o computador pode comandar que o diferencial prenda ou solte mais as rodas motrizes. ?Mais uma vez a tração sai ganhando com isso, além de um carro mais equilibrado nas frenagens?, diz o profissional da Prost. Por fim os pilotos terão a possibilidade de contar com o câmbio automático. Até Ímola as trocas de marchas, tanto na ascensão como na redução, deviam ser feitas por eles, através de pequenas alavancas posicionadas atrás do volante e acionada com os dedos. Um sistema eletrônico complexo identifica, agora, a posição do carro no circuito, tomando por base a distância da linha de chegada. Para cada ponto da pista há uma marcha ideal, de acordo com o programa do computador. Se o piloto erra e roda, por exemplo, o sistema é zerado e o piloto deve trocar as marchas por conta própria. Quando ele passar em frente a linha de chegada o sistema volta a ativar-se. Nenhuma equipe tem o câmbio automático completamente desenvolvido, por isso ele não deverá, em princípio, ser utilizado no GP da Espanha. ?É enorme a expectativa aqui na Fórmula 1 com relação ao que vai acontecer em Barcelona. Nós não temos idéia das mudanças que ocorrerão?, comentou Berger durante o GP de San Marino.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.