F-1: Revolta geral no mundo com fiasco

Jornais do mundo todo pegaram pesado com a Fórmula 1 na sua edição desta segunda-feira, como não poderia deixar de ser, diante do vexame apresentado no GP dos Estados Unidos, domingo. A manchete do mais importante diário de Indiana, o The Indianapolis Star, é "Grand slammed", ou "Grande agressão", com uma foto de meia página expondo os torcedores com o polegar para baixo, em protesto pela presença de apenas seis carros no grid, os que competem com pneus Bridgestone.Mas na capa do caderno de esportes, de título "Safe but sorry" ou "Seguro mas lamentável", o editorialista Bob Kravitz diz em versos, com a palavra adeus em nas línguas de seus responsáveis: "Goodbye Formula One, Good riddance Bernie Ecclestone, Au revoir Michelin e Ciao Ferrari. Para o jornal, não há dúvida: a Fórmula 1 está enterrada nos Estados Unidos. Em outro texto assinado por Curt Cavin o jornalista reflete a indignação dos torcedores e do proprietário do autódromo, Tony George, de não serem informados de nada a respeito dos últimos lances que cercaram a decisão das sete escuderias da Michelin de não disputar a prova.Na Europa a repercussão não foi distinta. O L´Équipe tem como título "Formule Zero!". Em 2002, depois de a Ferrari obrigar Rubens Barrichello dar passagem para Michael Schumacher vencer o GP da Áustria, o diário esportivo acrescentou em baixo do seu nome: "O jornal de todos os esportes e de automobilismo", qualificando a Fórmula 1 como uma atividade não esportiva, já que os interesses envolvidos manipulavam os resultados.O Metro, bastante popular em Londres, por ser distribuído nas estações de metrô, foi criativo e preciso: "F1asco". A foto combina os carros das equipes da Michelin entrando nos boxes ao lado de uma Ferrari alinhando para o grid. O The Indianapolis Star publica, ainda, que Tony George e o presidente do Indianapolis Motor Speedway estão estudando formas de compensar a perda das mais de 100 mil pessoas que compraram ingressos.Em Paris, a FIA não só explicou, nesta segunda-feira, os motivos da sua decisão de não autorizar a inclusão da chicane no circuito de Indianápolis, o que poderia, talvez, viabilizar a realização do GP dos Estados Unidos, como convocou as sete equipes que competem com pneus Michelin para prestar esclarecimentos ao seu Conselho Mundial, dia 29, em Paris. A Michelin proibiu seus times de disputar a corrida por causa do risco de explosão de seus pneus."A Fórmula 1 é uma competição esportiva. Deve funcionar com regras claras", traz o comunicado da FIA, provavelmente redigido por seu presidente, o advogado Max Mosley. "Elas não podem ser negociadas cada vez que um competidor traz algum equipamento inadequado para uma corrida." Para a entidade, uma chicane antes da curva 13, a mesma do traçado oval, contornada pelos carros de Fórmula 1 a 300 km/h, forçaria todos os concorrentes, incluindo-se os que não tinham problemas com seus pneus (times da Bridgestone), a correrem numa pista onde suas características foram alteradas sensivelmente. "Isso é contra a segurança", argumenta a FIA. "Não é difícil imaginar a reação da justiça norte-americana se houvesse um acidente, qualquer que fosse a causa, com a FIA tendo de reconhecer sua falha." A seguir o texto lembra que os comissários desportivos se propuseram a controlar a velocidade dos pilotos com pneus Michelin, na curva 13. Se eles passassem naquele ponto numa velocidade em que a Michelin garantisse que os pneus suportariam a solicitação, "as regras seriam respeitadas, a corrida, realizada e os fãs respeitados." Já o diretor-geral da Ferrari, Jean Todt, esclareceu que não teve nada a ver com a proibição do uso da chicane. "Não participamos dessa discussão. Mas se fosse consultado diria ser contra." Explicou seu ponto de vista: "É certo colocar uma chicane meia hora antes da largada, sem que ninguém tivesse realizado um único teste? O acerto do carro teria de ser outro, as relações de marchas, por exemplo." O homem forte da equipe italiana falou mais: "E por que nós deveríamos nos submeter a isso? Não conseguimos um bom desempenho com a Bridgestone, este ano, e em Indianápolis competimos com segurança e bem. Seria nossa chance." Por fim, faz um questionamento que leva os fãs da Fórmula 1 a refletir bem: "E se fôssemos nós que tivéssemos requisitado a montagem de uma chicane, para oferecer maior segurança aos nossos pneus? Acho que todo mundo daria risada da nossa cara." Bernie Ecclestone qualificou como "uma seqüência de estupidez" os acontecimentos do fim de semana no circuito de Indianápolis. "Tentei milhões de alternativas para disputarmos a prova, mas não houve maneira de um acordo. Nosso espetáculo, ridículo, espantou a todos." E assumiu: "Quando parecia que a Fórmula 1 havia despertado o interesse do público nos Estados Unidos resolvemos fazer isso justamente lá. A Fórmula 1 sofreu um duro revés com esse GP."

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