F-1: rivais tentam explicar fracasso

A Ferrari respondeu "com fatos", como definiu Jean Todt, seu diretor-esportivo, às projeções otimistas a respeito da concorrência. E o que os pilotos e técnicos da Williams, McLaren, Renault e Michelin têm a dizer diante de mais uma vitória humilhante dos italianos, depois de tantos investimentos em suas equipes? Quando os resultados são preocupantes, muito aquém de todas as previsões, começa sempre um jogo de empurra-empurra na Fórmula 1 que às vezes acaba mal. Neste domingo o roteiro foi seguido à risca: "Se Juan Pablo Montoya não tivesse errado na largada, nós conse guiríamos ficar à frente da Renault de Fernando Alonso e nos classificarmos em terceiro", afirmou Sam Michael, engenheiro-chefe da Williams. O colombiano tentava defender-se do ataque de Alonso, prestes a ganhar a sua terceira colocação no grid, freou na parte suja na primeira curva, foi à grama e retornou à pista em oitavo.Ralf Schumacher, como Patrick Head, diretor-técnico e sócio da Williams, repassou parte da culpa para a Michelin: "Os meus pneus dianteiros desgastavam-se rápido", explicou. Já Montoya admitiu o erro e atacou Ralf. "Perdi muito tempo tentando ultrapass ar os carros que me deixaram para trás quando saí da pista. O que me deu maior dificuldade, jogou duro, foi o meu próprio companheiro." O alemão da Williams reconheceu, no entanto, ao menos em Melbourne, a superioridade da Ferrari: "Eles eram um segundo mais rápidos por volta." Mario Theissen, diretor da BMW, comentou que o exposto no fim de semana na Austrália difere "profundamente" d o que a Williams e sua empresa esperavam. "Mas ano passado também reagimos forte e partindo de uma base pior que a desta temporada. Podemos virar o jogo de novo." Na McLaren não houve acusações múltiplas, apenas resignação. "Acabei em oitavo e era o máximo que dava para obter hoje", afirmou David Coulthard. "Eu lutava para me manter em décimo. Incrível. A McLaren tem de brigar pela vitória", revelou o vice-campe ão do mundo, Kimi Raikkonen, que abandonou na nova volta ainda com o motor Mercedes estourado. "Nossa baixa performance foi bastante influenciada pela temperatura baixa, o que não joga a favor da Michelin", observou Ron Dennis, sócio e diretor da McLaren .O diretor da Michelin, Pierre Dupasquier, recomendou prudência nas análises: "Antes de concluir como será este campeonato será necessário aguardar por mais três ou quatro etapas. Os próximos GPs serão muito importantes." Se a Michelin não der a seus ca rros velocidade e constância na Malásia e Bahrein, onde com certeza fará calor, então o Mundial corre mesmo o risco de ser outro desfile da Ferrari.Mas se Williams, McLaren e Michelin se explicavam pelo enorme fracasso no GP da Austrália, a Renault pareceu comemorar o terceiro lugar de Alonso. "Fiz uma grande largada ainda que Montoya tenha me jogado na grama", falou o espanhol. "A partir daí, em terceiro, foi muito fácil para mim. Não tinha velocidade para acompanhar a Ferrari mas também abria em relação a Jenson Botton (BAR) e às Williams." Segundo disse, o objetivo da equipe francesa era marcar pontos em Melbourne. "Até chegarmos na Europa, qu ando iremos estrear uma nova versão de motor, somar pontos será decisivo. Começar com um lugar no pódio é mais do que imaginávamos."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.