F-1: treino de sexta vira referência

Desde que o treino de sexta-feira à tarde passou a não mais ser classificatório, em 1996, o seu resultado deixou de ser referência para o que poderia ocorrer na corrida, domingo. Afinal, cada piloto treinava com o volume de gasolina que desejava. Agora a sessão de sexta-feira não só voltou a ser referência como tornou-se o melhor parâmetro. É na sexta-feira que os pilotos podem sair à pista com o máximo de seu potencial, ou seja, gasolina para três voltas apenas, uma delas lançada, e pneus novos. Em nenhuma outra sessão do programa da prova os pilotos têm essa possibilidade.Nesta sexta, os 20 pilotos que devem neste sábado à meia noite largar na prova de Melbourne ofereceram mais que um sinal do resultado que podem obter na corrida. Seu desempenho permitiu também compreender o nível de preparo de suas escuderias, questão que sempre agita a pré-temporada. Rubens Barrichello, com a Ferrari F2002, do ano passado, ficou com o primeiro tempo, 1min26s372, o que o fez sair para a pista em último nesta sexta, no treino que definiu o grid, como manda agora o regulamento.Barrichello analisou o resultado surpreendente, já que Kimi Raikkonen, da McLaren, também com o modelo de 2002, fez o segundo tempo, 1min26s551, e a dupla da Williams, Juan Pablo Montoya e Ralf Schumacher, com o carro deste ano, apenas em 10º e 16º."Não há dúvida de que os concorrentes se aproximaram da gente", avaliou Barrichello, que defendeu a distribuição de um ponto ao piloto mais rápido na sexta-feira. A diferença dele para Raikkonen foi de apenas 179 milésimos de segundo. A Ferrari ainda não estreou seu F2003-GA, tudo bem, mas a McLaren ainda não colocou na pista o MP4/18, o novo projeto, previsto para estrear, como o F2003-GA, no GP de San Marino, dia 20 de abril, ou na etapa seguinte, o GP da Espanha, 4 de maio. "A McLaren será nossa maior concorrente ao título", vem dizendo Michael Schumacher. Os números, ao menos no treino em que a condição era a mesma para todos, estão provando que deve mesmo ser verdade.Schumacher registrou apenas o quarto tempo, 1min27s103, e o atribuiu ao fato de ter sido o primeiro a ir para a pista e "ter limpado o asfalto para os demais." Já a Williams versão 2003 pode ser mensurada pelo que disseram Montoya e Ralf: "E não dá para dizer que meu carro estava desequilibrado, simplesmente não tinha velocidade", falou o colombiano para explicar sua volta lenta, 1min27s450, nada menos de um segundo e 78 centésimos pior que Barrichello com a Ferrari velha. Ralf complementou: "Prevejo para nós um longo trabalho pela frente." Curiosamente, o engenheiro que deixou a Williams, Geoff Willis, tornou-se o projetista-chefe e diretor-técnico da BAR. E nesta sexta, Jacques Villeneuve obteve o terceiro tempo, 1min26s832, e Jenso Button, o quinto, 1min27s159, ambos com o modelo 005, assinado por Willis. Junto da BAR, a Toyota foi a escuderia que mais cresceu de uma temporada para a outra, ao menos pelo que a sessão classificatória de sexta revelou. O brasileiro estreante Cristiano da Matta transformou-se no grande nome do treino. Mesmo conhecendo a pista apenas na sessão da manhã, o campeão da Cart do ano passado vinha numa volta lançada espetacular até errar no último trecho, o que o fez perder cerca de seis décimos de segundo e ficar em 11º, com 1min27s478. Poderia ter sido o quarto. A equipe o aplaudiu quando saiu do carro. "Estou feliz com o resultado, mas principalmente pelo potencial que o TF103 demonstrou", afirmou o mineiro.O Brasil teve outro estreante na Fórmula 1 nesta sexta, Antonio Pizzonia, da Jaguar. Por desconhecer o traçado de 5.303 metros e ter completado poucas voltas no treino livre, arriscou demais na classificação e acabou errando, o que lhe custou, pela projeção do tempo, o 11º lugar. Foi o 19º.Como seu companheiro, Mark Webber, também errou e não foi além dos 15º lugar, ambos levaram uma bronca pública do engenheiro-chefe da Jaguar, Mark Gillan: "Hoje (sexta) nossos carros eram mais rápidos que nossos pilotos." De qualquer forma, a Jaguar mostrou ser realista seu plano de lutar pelo quinto lugar entre os construtores, o modelo R4 pode lhe permitir.

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