F-Cart luta para evitar a falência total

Em meio a uma crise sem precedentes, que se agrava a cada semana, a F-Cart corre neste domingo em Mid-Ohio ? é a 12ª etapa da temporada, liderada pelo brasileiro Bruno Junqueira, com largada às 15 horas e transmissão da RedeTV! ? com os pilotos preocupados com o que acontece na pista e, também, fora dela. A aflição é por conta da indefinição sobre o futuro da categoria. Fundada em 1979, a Cart (Championship Auto Racing Teams), organizadora da competição, meteu-se num buraco que parece não ter fim. A empresa tem uma dívida estimada em US$ 100 milhões, as receitas estão cada vez mais fracas e, pior, não consegue encontrar um sócio ou um comprador disposto a investir milhares de dólares para salvá-la.A situação beira ao desespero. Ao final do primeiro semestre deste ano, Chris Pook, atual presidente da Cart, admitiu que não há dinheiro suficiente para realizar a temporada completa de 2004. Em 22 de julho seus acionistas receberam um relatório de uma empresa de auditoria, ao qual a Agência Estado teve acesso, que, logo no início, decretava. "Se a Cart finalmente reconhece que não tem dinheiro para terminar a temporada de 2004, então não pode almejar iniciá-la."O relatório sustenta essa posição com números. As ações da Cart, que em junho de 1999 chegaram a ser negociadas por US$ 35 62 na bolsa de Nova York, hoje não passam de US$ 2,08, com tendência de baixa. Pior: em março, cada ação valia US$ 4,31. Ou seja, em quatro meses perderam a metade do valor. Em 1999, a empresa era avaliada no mercado em US$ 559 milhões. Hoje, vale US$ 32 milhões. Esse valor representa 10% do que a Cart paga em subsídios às equipes, para que coloquem carros no grid nesta temporada. O subsídio, aliás, será suspenso.De acordo com o relatório, "a menos que alguém com entre US$ 300 milhões e US$ 500 milhões compre a companhia´´, dificilmente a Cart escapará da falência.Encruzilhada ? Só que esse sonhado salvador da pátria nunca chega. Desde o final do ano passado, comenta-se que a Cart pode ser vendida, no todo ou parte, para gente como Bernie Ecclestone Craig Pollock, Paul Gentilozzi, Gerald Forsythe entre outros. Mas ninguém fecha negócio. Quando muito admite estar negociando.Nas últimas semanas, surgiu a informação de que o grupo Motor Rock estaria interessado em comprar a Cart, para transformar, a partir de 2004, a competição em eventos de corrida e show de rock. O negócio seria fechado em Mid-Ohio, garantiu a Cart. Na sexta-feira, a empresa anunciou o adiamento. Faria parte da estratégia de não decretar a venda em fim de semana de corrida.O problema é que o relatório entregue aos acionistas não contempla a possibilidade de uma negociação. Ao contrário, sugere que Chris Pook "planta" essas informações para ganhar tempo. Pook, aliás, estaria estudando a possibilidade de deixar a presidência da Cart ao final da temporada.Sintomaticamente, o relatório sugere que, em Fontana, última etapa do ano, a Cart irá anunciar, no mínimo, a suspensão das atividades por um ano. Anúncio que, se for feito, levaria a crer que o campeonato de 2004 não acontecerá.Saídas ? Não é bem assim. Até porque mesmo que a Cart for à falência, isso não significará que a competição acabará. "Pode-se liquidar a Cart (cujos acionistas majoritários são os donos de equipe) e fundar uma nova empresa. Assim, a partir de 2004 o campeonato aconteceria, só que com outra empresa, a ser criada, organizando", diz um acionista, que pede anonimato. Outra saída pode ser retirar as ações da Cart da bolsa de valores.E os pilotos, em última instância, os reais protagonistas do campeonato, o que pensam? "O que vai acontecer eu não sei. Mas a categoria, como competição, não vai acabar. Afinal, a maior parte de nossas corridas leva grande público e isso interessa aos patrocinadores", acredita o brasileiro Bruno Junqueira.Só que há quem considere a hipótese de a F-Cart desaparecer. "Ficaria muito triste com isso, pois não há melhor lugar para um piloto", entende Paul Tracy. "Se a Cart acabar, me interessa correr na Nascar´´, estuda Jimmy Vasser, campeão da categoria em 1996.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.