F-Renault abre espaço para os jovens

A terceira temporada da F-Renault Brasileira, que começa domingo no Autódromo Internacional de Curitiba, terá uma equipe nova em relação aos dois campeonatos anteriores. É a Full Time Sports, que tem três pilotos, dois com 17 anos, os paulistas André Sousa e Diego Nunes, e um com 20, o brasiliense Vinícius Canhedo. Três garotos, quase tão jovens quanto o dono da equipe, Maurício Ferreira, que tem apenas 26 anos.Normalmente, proprietários de escuderias no automobilismo são pessoas bem mais velhas, com pelo menos alguns cabelos brancos à mostra. Mas o fato de o jovem Maurício ter entrado para o ?clube? não causa espanto em quem o conhece. Até porque, na realidade, ele não está entrando, e, sim, voltando. Maurício teve sua primeira equipe em 1995. Tinha 18 anos e fundou um time na F-Chevrolet, hoje extinta. ?Nasci praticamente dentro de uma oficina. Sempre gostei de automobilismo?, diz Maurício, para justificar sua precocidade. ?As coisas comigo acontecem bem rápido, mas vou ficar velho mais rápido também?, completa.Filho de Miguel Ferreira, um dos nomes tradicionais do automobilismo nacional (atualmente é proprietário da equipe M4T Motorsport, também da F-Renault), Maurício começou a ?mexer com a coisa? em 1990, aos 13 anos. Ajudava o pai a preparar motores. Cinco anos depois, teve a oportunidade de montar a equipe da F-Chevrolet - ?Surgiu a oportunidade e aproveitei, só isso? -, que existiu até 2000.Nesta altura, Maurício já havia tomado gosto pela função de engenheiro. No ano seguinte foi para a Europa, trabalhar na F-Renault e voltou em 2002, quando passou a ser engenheiro da equipe de Affonso Giaffone na F-Renault Brasileira. ?Já pensava em montar a equipe, mas aceitei o convite do Affonso para ganhar experiência?, conta Maurício. Em dois anos, conquistou dois títulos por equipes na categoria, um de pilotos (Allan Khodair, no ano passado) e um vice (Lucas Di Grassi, em 2001). Estava pronto para montar a Full Time.Hoje, ele dirige 13 funcionários e administra uma escuderia na qual investiu R$ 400 mil para torná-la real - dinheiro que veio em boa parte dos patrocinadores e também dos pilotos - e que tem gasto mensal estimado em R$ 120 mil. Seu objetivo principal é formar pilotos, algo que sempre gostou de ver.Nos planos, também está a volta ao Velho Continente, para fundar uma equipe na F-Renault européia. ?Devo fazer isso em 2006, no máximo. E pretendo manter a equipe daqui. Quero que minha equipe na Europa seja uma ponte para pilotos brasileiros?, explica Maurício, que no passado sonhou em cursar Engenharia Mecatrônica. ?Mas o automobilismo não deixou. E hoje, se fosse estudar, cursaria Direito, que é para defender as equipes.?

Agencia Estado,

13 de março de 2004 | 10h06

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