F-Renault agita pilotos brasileiros

O domingo vai ser especial para 31 jovens, entre 16 e 22 anos, que sonham em um dia chegar à Fórmula 1. São os pilotos da F-Renault brasileira, que realiza a primeira etapa da temporada 2003. A prova será preliminar do GP do Brasil de F-1. Assim, pela primeira vez, a garotada terá a oportunidade de correr para um "público gigante": afinal são esperadas 70 mil pessoas em Interlagos. E a vontade é uma só: aproveitar a oportunidade."É a primeira vez que estaremos diante de um grande público e isso aumenta a pressão. Mas é preciso saber lidar com isso, é nestas horas que temos de nos sobressair. Até porque vai ter muita gente olhando a gente, inclusive o pessoal das equipes de F-1´´, diz Gustavo Sonderman, 21 anos, piloto da Giaffone Motorsport, e um dos "veteranos´´ na F-Renault. Ele vai disputar sua segunda temporada na categoria, que terá 12 estreantes na pista, inclusive uma mulher, Bia Figueiredo, de 18 anos.A largada da corrida, com 30 minutos de duração, será às 10 horas e a TV Globo transmite ao vivo. Allan Khodair, da Giaffone Racing, sai na pole (1min37s468), com Daniel Serra (Bassani Racing), filho do piloto de Stock Car Chico Serra, ao seu lado (1min37s591). Na segunda fila estarão Patrick Rocha (Giaffone Motosport) e Marcos Gomes (RS Competições), filho do veterano Paulão Gomes.Ser observado pelos homens da F-1 é um objetivo comum dos 31 pilotos. No entanto, eles sabem que não dá para copiar os pilotos da categoria principal do automobilismo mundial. Não têm, claro, a mesma experiência. E os equipamentos são bastante diferentes. "É difícil você tentar imitar o traçado feito por um piloto de F-1, porque os pontos de freada e aceleração, por exemplo, são diferentes. Eles fream mais tarde e aceleram antes. E os carros de F-1 são muito mais potentes´´, explica Sonderman, sexto no grid.Allam Khodair não é tão radical. "É bom sempre dar uma olhada no traçado feito por um piloto de F-1. Pode servir de referência´´, entende Khodair, que no ano passado disputou o título até a última etapa, corrida justamente em Interlagos. Acabou a temporada em terceiro lugar.As diferenças entre os dois equipamentos são enormes, o que se reflete em vários aspectos. A velocidade máxima dos carros, por exemplo - um F-1 chega pelo menos a 305 km no final da reta em Interlagos; um F-Renault, a 232 km/h no máximo. Khodair fez a pole da F-Renault com a velocidade média de 159,184 km/h. Rubens Barrichello, o pole da F-1, teve média de 210.175 km/h.Não dá mesmo para comparar. Isso, porém, não impede que os jovens da categoria nacional pensem em seguir os passos de pilotos como Kimi Raikkonen e Felipe Massa, que passaram da F-Renault (inglesa, no caso do finlandês, e européia e italiana, no do brasileiro) direto para a F-1. "Isso foi um fenômeno, mas tem chance de voltar a acontecer´´, entende Sonderman. "É difícil, até porque a distância é muito grande´´, acrescente Khodair. Além disso, os pilotos da F-Renault brasileira têm consciência de que não devem pensar em "pular´´ para a F-1.Dessa forma, estabeleceram como próximo passo na categoria chegar à F-Renault na Europa no ano que vem. Isso aconteceu com Sérgio Jimenez, campeão da categoria nacional em 2002, que ganhou como prêmio uma temporada na F-Renault inglesa este ano.Escola - Já o objetivo de Bia Figueiredo (Cesário Fórmula), que hoje larga na 26.ª posição, é aprender. A estréia não a deixa nervosa: "Estou tranquila. Sofro pressão porque fui muito bem no kart e porque sou mulher. Agora, quero aprender o máximo possível no automobilismo.´´ A piloto fez apenas dois treinos com um F-Renault antes de chegar a Interlagos. Mas tem planos consistentes para hoje. "Quero terminar a corrida numa boa posição.´´

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.