F1: telemetria volta mais sofisticada

Michael Schumacher afirmou, quinta-feira, que a sua equipe, a Ferrari, o manteria atualizado sobre a partida Alemanha e Estados Unidos pelo sistema de telemetria bidirecional. O que é exatamente esse recurso, permitido pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA) novamente nesta temporada, a partir do GP da Espanha? A Ferrari o está estreando no GP da Europa, enquanto a McLaren já o usa desde Mônaco. E foi ele que permitiu a Mario Illien, o engenheiro responsável pelo motor Mercedes, a intervir no motor de David Coulthard, no Principado, para mantê-lo na prova e vencê-la, depois que uma fumaça começou a sair pelo escapamento da McLaren. A Ferrari tem no seu excepcional modelo F2002 em Nurburgring um novo volante, com 14 botões de interferência do piloto no ajuste das mais variadas funções do carro.Há na porão central superior desse volante um enorme display, cerca de quatro vezes maior que no volante usado até a última corrida, no Canadá. Próximo à lateral do cockpit também pode-se observar um sensor, voltado para a mureta dos boxes.A telemetria bidirecional é um sistema que dá à equipe a chance de enviar um sinal ao seu carro na pista, quando ele passa em frente os boxes, por exemplo, para alterar algo que se deseja na sua regulagem.Utiliza-se, para isso, ondas de rádio. Não se trata de nenhuma novidade. Apenas está de volta, depois de liberada e, claro, bem mais sofisticada. Assim, Ross Brawn, diretor-técnico da Ferrari, pôde selecionar a mensagem de que a Alemanha havia feito 1 a 0 nos Estados Unidos e a enviado para aparecer no display do volante, para a felicidade de Schumacher. É bidirecional porque várias funções monitoradas do carro, como o funcionamento do motor, enviam regularmente informações vias ondas de rádio que são captadas por uma antena instalada sobre os boxes.A telemetria bidirecional está sendo usada para dois casos em especial, embora a aplicação do recurso seja imensa: para os ajustes do controle de tração e na regulagem do diferencial. Pode-se aumentar ou diminuir a ação do controle de tração, ainda que o próprio piloto pode, se desejar, fazer o mesmo através dos botões do volante. Quanto ao diferencial, é possível elevar ou reduzir também sua carga, a fim de se ganhar, como com o controle de tração, maior eficiência na tração do carro e até mesmo reduzir tendências como derrapar com as rodas da frente ou de trás."Fomos bem treinados para usar esse novo volante, bem mais complexo que o anterior, mas que não se destina a deixar a F2002 mais veloz", disse neste sábado Rubens Barrichello. Segundo uma fonte, seu custo é de US$ 100 mil. Diante de US$ 70 mil do volante anterior.

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