Falta de patrocinador faz mais uma vítima: o supertalentoso Robin Frijns

Além de conseguir bons resultados, pilotos precisam ter parceiros fortes

Livio Oricchio, enviado especial, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2013 | 15h53

BUDAPESTE - O holandês Robin Frijns, de 21 anos, atual campeão da Fórmula Renault 3.5 World Series, perdeu seu lugar na GP2. As duas categorias são as que mais fornecem hoje pilotos para a Fórmula 1, como Sebastian Vettel, Lewis Hamilton, Nico Rosberg, dentre tantos exemplos. Frijns perdeu a vaga na equipe Hilmer por não poder contribuir financeiramente com ela, e não por falta de resultados.

Frijns é considerado um dos fenômenos do automobilismo, um supertalento precoce: campeão da F-Renault 3.5 no ano passado, campeão da F-Renault 2.0 em 2011 e campeão da F-BMW em 2010. "Minha carreira é assim. Para ter sequência tenho de ser campeão, sempre", disse ao Estado, em Nurburgring, há três semanas. "Na GP2 eu espero a ligação do meu time às quartas-feiras para saber se vou disputar ou não a corrida no fim de semana."

E de fato a direção da Hilmer ligou, nesta quarta-feira, mas para avisá-lo de que será substituído até o fim da temporada pelo inglês Adrian Quaife-Hobbs, portador da verba necessária para a escuderia concluir o campeonato. O holandês é mais uma vítima da forma como o automobilismo se estruturou, onde apenas quem dispõe de elevados recursos financeiros é capaz de prosseguir na sua formação profissional.

No passado também funcionava assim, mas os valores praticados eram proporcionalmente tão menores que havia, ainda, a possibilidade de um piloto convencer investidores e patrocinadores no seu projeto. Na GP2, por exemplo, são necessários 2 milhões de euros (R$ 6 milhões) para disputar a temporada, o que a restringe a poucos. Pilotos bem mais capazes, como Frijns, acabam por ficar fora.

Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna também embarcaram para a Inglaterra tendo de levar consigo patrocinadores de peso. Mas não apenas em valores absolutos, senão proporcionalmente ao que o mercado gera hoje, a verba que precisavam era realista de ser obtida, tanto que viajaram e, devido ao seu imenso talento, fizeram sucesso. Se naquela época fosse exigido o que se impõe atualmente para disputar a Fórmula Ford, no caso de Emerson e Senna, e a Fórmula 3, de Piquet, os três teriam sérias dificuldades para expor ao mundo o que eram capazes de fazer. O amante do automobilismo, independentemente da nacionalidade, teria sido privado de conhecer três pilotos notáveis que entraram para a história.

Frijns estreou na GP2 este ano na quinta corrida, em Bahrein. E por desconhecer as características dos pneus Pirelli, de elevada degradação, a fim de preparar os pilotos para a realidade atual da Fórmula 1, não foi bem. Mas já nas duas provas seguintes, em Barcelona, desvendou como lidar com esses pneus, venceu a primeira corrida e ficou em segundo na outra, numa demonstração rara de capacidade.

3º PILOTO DA SAUBER

Frijns é o terceiro piloto da Sauber. Com os russos realizando um bom investimento na escuderia, a ponto de salvá-la da insolvência, terão voz ativa na definição dos pilotos de 2014, o que reduz as chances do holandês estrear na Fórmula 1. No seu Twitter, o piloto escreveu, nesta quarta-feira: "Sem dinheiro nada de pilotar. Vencer campeonatos não é suficiente nos dias de hoje. Boa sorte aos rapazes da GP2".

Os treinos livres da sétima etapa da GP2, sempre disputada em duas corridas, no circuito Hungaroring, começam sexta-feira. O líder é o monegasco Stefano Coletti, da Rapax, com 135 pontos, seguido pelo jovem talentoso brasileiro Felipe Nasr, da Carlin, com 108.

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