Leo Martins/Estadão
Leo Martins/Estadão

Falta de pilotos brasileiros não diminui procura por ingressos para GP

Segundo a organização, etapa em Interlagos, no próximo domingo, tem demanda normal comparada a anos anteriores

Ciro Campos, Catharina Obeid, O Estado de S. Paulo

07 Novembro 2018 | 05h00

O GP do Brasil de Fórmula 1 vive um momento peculiar na história. Pela primeira vez desde a entrada no calendário oficial da categoria, em 1972, a prova não terá nenhum piloto brasileiro no grid. Domingo, em Interlagos, as cerca de 140 mil pessoas esperadas no evento vão acompanhar a largada sem ter ao menos um compatriota para torcer, situação que pode voltar a se repetir pelo menos na próxima edição, se nada mudar.

O panorama, no entanto, não preocupa a organização da prova. Os promotores do GP afirmam que dois setores já tiveram ingressos esgotados e entendem que a presença ou não de pilotos brasileiros não altera a vinda de torcida, pois o público que vai ao autódromo todos os anos é atraído pela fidelidade ao esporte e não pela presença de compatriotas na pista.

A prova deste domingo não terá brasileiro nem disputa de título, já que Lewis Hamilton cravou o pentacampeonato na etapa do México, mas existem outros motivos para acompanhá-la. "A ausência de um piloto brasileiro é lamentável, mas o público quer ver a corrida. Quer ver Lewis Hamilton contra Sebastian Vettel. Então, no fundo, para nós não faz diferença ter um brasileiro", analisa Tamas Rohonyi, promotor do GP.

Nas últimas quatro temporadas, a presença de torcedores tem se mantido alta. Em 2016, na primeira despedida de Felipe Massa do circuito, foi registrado o menor público dos últimos cinco anos. Os 128 mil torcedores presentes encararam a chuva que não deu trégua em São Paulo para ver o atual campeão inglês ter seu primeiro triunfo em solo brasileiro e adiar o título de Nico Rosberg para a etapa de Abu Dhabi. 

Em 2017, das 141 mil pessoas que assistiram de perto o primeiro lugar de Sebastian Vettel, 14 mil eram estrangeiras. Os argentinos ocupam a liderança, seguidos por uruguaios e chilenos. A importância do evento é tanta que a prefeitura de São Paulo considera o GP do Brasil o segundo maior evento da cidade, superado apenas pela Parada LGBT na avenida Paulista. 

Entre o público, a grande maioria é do sexo masculino: 76,4% são homens. A pesquisa do Observatório de Turismo feita na edição passada da prova em Interlagos revela ainda que a idade média dos torcedores é de 30 anos, 73,3% completou ao menos o ensino superior e a maior parte dos interessados tem renda familiar entre R$ 4.686 e R$ 9.370. 

O mesmo estudo mostra que mais da metade dos torcedores não é da cidade de São Paulo e que 48% da plateia vai até o local da prova de carro. Para incentivar as pessoas irem até Interlagos de transporte público, a SPTrans criou o Expresso F--1, esquema de ônibus diferenciado que inclui veículos saindo de seis terminais diretamente em direção ao autódromo tanto no sábado quanto no domingo.

SEGURANÇA

A direção da Force India revelou ter preocupação especial com a segurança no entorno do autódromo de Interlagos. Depois de assaltos no ano passado, a equipe conversou com a organização da prova para ter escolta policial nos horários mais críticos, como o retorno dos funcionários para o hotel, à noite.

"Temos falado com os promotores e com as autoridades locais. A polícia, aparentemente, terá uma presença maior. Eles vão ter conhecimento do nosso horário de chegadas e saídas, então estará lá nos momentos apropriados", afirmou o chefe da escuderia, Otmar Szafnauer.

No ano passado veículos com funcionários da Williams, Mercedes e da Sauber sofreram tentativas de assalto na saída do autódromo. Um dos casos mais graves foi em 2010, com o inglês Jenson Button. O carro dele foi abordado por bandidos armados.

 

 

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