Farsa não tira brilho do GP da Áustria

A Ferrari venceu. Verdade. Mas desta vez quem gosta de boa competição não tem muito o que reclamar, apesar de Michael Schumacher ter conquistado a quinta vitória, quarta consecutiva, em seis etapas disputadas do Mundial. A razão é simples: o GP da Áustria, neste domingo no circuito A1-Ring, foi a corrida mais maluca até agora na temporada. Houve de tudo: desde um grave acidente, envolvendo Takuma Sato, da Jordan, e Nick Heidfeld, Sauber, à decisão esportiva mais polêmica dos últimos tempos. A ordem para Rubens Barrichello deixar Michael Schumacher ultrapassá-lo e vencer a prova chocou a Fórmula 1. A expressão de alegria do diretor-técnico e estrategista da Ferrari, Ross Brawn, ao ver que Barrichello e Schumacher haviam passado incólumes pela primeira curva e estavam em primeiro e segundo resume a corrida. Brawn sabia que Ralf Schumacher, da Williams, em terceiro, e Juan Pablo Montoya, seu companheiro, quarto, não representavam ameaça. Depois de apenas dez voltas, Barrichello estava oito décimos de segundo na frente de Schumacher, mas com uma vantagem de 16 segundos para Ralf. Ou seja, o modelo F2002 dos italianos era, em média, pouco mais de um segundo e meio mais rápido por volta que o FW23 da Williams. Montoya, terceiro colocado ao fim das 71 voltas, disse resignado. "Consegui o máximo que poderia, num circuito em que nosso carro esteve muito bem." Por conta de duas entradas na pista do Safety Car, neutralizando as diferenças entre os pilotos, o colombiano cruzou a linha de chegada a apenas 17 segundos e 730 milésimos de Schumacher. Como ele mesmo já disse que não tem como competir contra a Ferrari, seus objetivos passaram a ser outros, conforme fica claro pela sua declaração. "Esse pódio foi bom para aumentar a diferença para o meu companheiro de equipe." Montoya está em segundo no Mundial, com 27 pontos, diante de 54 de Schumacher, e Ralf, terceiro, 23. Barrichello é o quarto, com 12. Ralf classificou-se em quarto neste domingo, a 718 milésimos do colombiano, e não gostou nada de perder o terceiro lugar na operação de pit stop. Ralf parou na 47ª volta e Montoya, na 51ª. Giancarlo Fisichella marcou dois importantes pontos para a Jordan, ao chegar em quinto, e David Coulthard, com a cada vez mais decadente McLaren-Mercedes, foi sexto. O Safety Car interveio na volta 23, quando Olivier Panis ficou atravessado na pista por causa da quebra do motor Honda da BAR, permanecendo até a 27ª volta, e depois na mesma volta em razão de um terrível acidente. "Vi uma nuvem de fumaça à minha frente e talvez tenha acionado o pedal do freio com muita força, quando eles estavam ainda não aquecidos, por causa do Safety Car durante quatro voltas", explicou Heidfeld. Sua Sauber, desgovernada, atingiu com a traseira a lateral da Jordan de Sato, na curva 2, em elevada velocidade. O doutor Sid Watkins, que atendeu o japonês, qualificou como "milagre" o fato de não se ferir com gravidade. O Safety Car só deixou a pista na 36ª volta, depois de Sato sair de ambulância do local. O piloto passou a noite no Hospital Universitário de Graz, para onde foi transportado de helicóptero, segundo o comunicado da Jordan, apenas por precaução. A não ser uma forte pancada no lado direito da cintura, não havia nenhuma lesão. Os dois carros ficaram destruídos. A corrida terminou cedo para Felipe Massa, da Sauber, e Enrique Bernoldi, Arrows. Massa teve a suspensão traseira esquerda quebrada e abandonou na sétima volta, enquanto Bernoldi não passou da terceira volta, com a suspensão dianteira atingida num toque involuntário na largada, possivelmente com o companheiro de equipe, Heinz-Harald Frentzen.

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