Fãs poderão opinar no site da FIA

Diante da impossibilidade de punir a Ferrari pela troca de posições de seus pilotos no GP da Áustria, dia 12 de maio, como o próprio Conselho Mundial da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) reconheceu nesta quarta-feira em Paris, a equipe italiana acabou apenas multada: US$ 1 milhão, a maior já aplicada a uma escuderia. Max Mosley, presidente da FIA, convocou os fãs da Fórmula 1 para evitar situações desgastantes como a da prova de Spielberg. "Deve haver regras? Como punir os responsáveis? Não sabemos. Abriremos espaço para que os fãs dêem sua opinião e façam sugestões." Fica tudo como está: Michael Schumacher, o vencedor do GP da Áustria, e Rubens Barrichello, segundo colocado. De acordo com o comunicado emitido nesta quarta-feira pela FIA, a razão é simples. "O Conselho concluiu ser impossível punir os pilotos porque eles são obrigados, por contrato, a cumprir as determinações da equipe." Mais: "A FIA reconhece o direito de os times definirem a ordem final da colocação de seus pilotos de acordo com os seus interesses no Mundial." Mosley usou o futebol para explicar o porquê de o Conselho não mexer nos pontos dos pilotos e da equipe. "Seria como marcar um pênalti em razão de os jogadores não se cumprimentarem antes de a partida começar." A entidade, conforme o esperado, puniu a Ferrari por causa da desobediência de seus pilotos ao artigo 170 do regulamento esportivo, que prevê o procedimento na cerimônia do pódio. "O comportamento de Schumacher no pódio de Spielberg foi um pouco estúpido. Ele deve ter ficado apavorado com a reação do público (vaias), situação que nunca havia experimentado", disse Bernie Ecclestone, promotor da Fórmula 1. "Para mim, a multa foi bem aplicada." A FIA descreveu o que os pilotos da Ferrari causaram de embaraço com sua postura no pódio. "Barrichello, brasileiro, segundo colocado, estava no degrau mais alto do pódio enquanto era executado o hino da Alemanha por causa de Schumacher, alemão. Schumacher apanhou o troféu do vencedor do chanceler austríaco e o entregou a Barrichello." A FIA resgata o texto do regulamento. "É dever da equipe garantir que seus pilotos cumpram os procedimentos do pódio corretamente." O documento distribuído pela entidade nesta quarta-feira diz que metade do valor da multa, US$ 500 mil, deve ser paga já. O restante só deverá ser depositado se os pilotos da Ferrari tiverem comportamento semelhante no prazo de 12 meses. "É uma decisão que respeitamos", afirmou Jean Todt, diretor-esportivo da equipe e responsável pela ordem de Schumacher e Barrichello inverterem suas posições. Luca di Montezemolo, presidente da Ferrari, comentou. ?Estamos de acordo. O pódio é um momento sério que compõe a imagem da Fórmula 1." Até agora, a maior multa que a FIA já havia aplicado foi em 1994, à Benetton. Schumacher, atendendo ordens de seu diretor geral, Flavio Briatore, não obedeceu à bandeira preta, que o desclassificava do GP da Grã-Bretanha. Ele havia ultrapassado o pole position da prova na volta de apresentação, o que é proibido, foi sinalizado para cumprir uma punição de stop and go e não parou. A direção de prova o desclassificou e nem assim ele entrou nos boxes. A Benetton foi multada e o piloto suspenso por duas corridas. A FIA divulgou nesta quarta-feira em Paris também o pré-calendário da temporada 2003. Serão 17 etapas e os países são os mesmos deste ano. Se as datas forem confirmadas, o próximo Mundial começa dia 9 de março em Melbourne, na Austrália. O GP do Brasil, terceiro do campeonato, deverá ser disputado dia 6 de abril. Outra confirmação da entidade, nesta quarta-feira, foi a obrigatoriedade do uso, em 2003, do capacete tipo HANS (Head And Neck Support), composto por duas correias que evitam de a cabeça ser projetada para a frente e os lados no caso de impactos. Mosley deve, em breve, disponibilizar um campo no site da FIA (fia.com) para a recepção das opiniões e sugestões sobre como dever ser controlado, se é que deve, o jogo de equipes na Fórmula 1. Testes - David Coulthard, da McLaren, equipe em ascensão na temporada, foi o mais rápido nesta quarta-feira em Barcelona, 1min19s50 (61).Antonio Pizzonia, brasileiro piloto de testes da Williams, registrou, como terça-feira, o segundo tempo, 1min20s01. Ele completou impressionantes 103 voltas. Só este ano Pizzonia fez cerca de 12 mil quilômetros de testes para a Williams, mais que toda a preparação de Jacques Villeneuve para estrear na Fórmula 1 depois de ser campeão na Fórmula Indy, em 1995. Enrique Bernoldi, da Arrows, também testou e ficou com 1min20s50 (31), oitavo tempo.

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