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Felipe Guimarães, quarto colocado na F-3 inglesa, desponta como promessa

Aos 22 anos, piloto agarra oportunidade de despontar e cavar presença numa categoria que o deixe mais perto da F-1

Alessandro Lucchetti, O Estado de S. Paulo

26 de setembro de 2013 | 07h30

SÃO PAULO - O câmbio do carro de Felipe Guimarães quebrou na primeira bateria de uma etapa da Fórmula 3 Sul-Americana em Interlagos, obrigando o piloto goiano a largar da última posição. Alguns mecânicos, pesando essas dificuldades, imaginaram que Felipe, que sobra na categoria, ia precisar de quatro voltas para assumir a liderança. Erraram. Ele tomou a ponta no terceiro giro e não a largou mais até a bandeirada.

No momento, Felipe ocupa a segunda colocação, a 17 pontos do paulista Raphael Raucci, que tem sido mais regular. Raucci não deixou de pontuar em etapa alguma. Já Felipe venceu todas as sete corridas que conseguiu terminar, mas não pontuou em três, devido a problemas mecânicos.

Mesmo empenhando-se em duas frentes - disputou também a F-3 inglesa, que terminou na quarta colocação - Felipe tem se destacado e feito boas corridas em ambas. Aos 22 anos,o piloto está agarrando como pode a oportunidade de despontar e cavar presença numa categoria que o deixe mais perto da F-1, como a World Series.

Sem patrocínio, Felipe passou duas temporadas correndo apenas de kart, depois de ver alguns projetos naufragarem. Escolhido por Emerson Fittipaldi para pilotar o carro do Brasil na categoria A1GP, conseguiu um segundo lugar na África do Sul, mesmo com um carro limitado. Essa vitrine, no entanto, acabou em 2009, atingida pela crise econômica de 2008.

O brasileiro ainda tentou a Indy Lights, na qual conseguiu um quarto, um terceiro e um segundo lugares em três provas no terceiro carro da equipe de Bryan Herta. A dificuldade para obter patrocínio, no entanto, acabou sepultando seus planos.

Pacientemente, Felipe topou voltar ao kart para tentar preservar os reflexos de piloto. "Não é bom interromper a carreira em monopostos. Você deixa de aprender muita coisa. Mas, assim que voltei, vi que o talento não se perde: ele estava lá".

Nesse ínterim, Felipe aproveitou para reforçar sua preparação mental. Discípulo do ex-piloto de Fórmula 1 Alex Dias Ribeiro, ex-dirigente da organização Atletas de Cristo, procurou aprender a lidar com suas frustrações. "A vida de piloto não é fácil. É muito competitiva e só um ganha. Pude amadurecer mais nesse tempo em que fiquei longe dos monopostos".

Alex assumiu a função de "coach" para Felipe a convite de Fittipaldi, que será manager do piloto por 15 anos. O ex-piloto de Fórmula 1 (temporadas 76, 77 e 79) atua como conselheiro e motivador e faz o meio-campo entre engenheiros e piloto, em busca do melhor acerto.

Ex-piloto da Coopersucar, equipe que pertencia a Fittipaldi, Alex aposta no futuro de Felipe. "Ele tem um talento natural extraordinário. Nasceu para ser piloto, tem potencial enorme".

Emerson aposta no piloto. "O Felipe tem muito talento. Eu me impressionava com a sua facilidade para aprender a pilotar em circuitos em que nunca havia estado. Trata-se de um piloto muito promissor".

As dificuldades financeiras empurraram Felipe para a F-3 inglesa, mais barata e menos prestigiada que a europeia.

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