Andre Pichette/EFE
Andre Pichette/EFE

Felipe Massa decide se livrar das amarras em uma futura equipe da F-1

Segundo empresário, ele só vai assinar com escuderia que não lhe obrigue a trabalhar para o outro piloto

Livio Oricchio, O Estado de S. Paulo

13 de setembro de 2013 | 07h33

NICE - Nicolas Todt, francês, 35 anos, filho do presidente da FIA, Jean Todt, confia na permanência de Felipe Massa na Fórmula 1. Ele é o empresário do brasileiro e de dois outros pilotos da competição, o venezuelano Pastor Maldonado, da Williams, e Jules Bianchi, da Marussia. "Felipe é o melhor piloto disponível no mercado. Nenhum outro foi vice-campeão do mundo, tem 11 vitórias, 15 poles e a experiência necessária para o regulamento de 2014", diz.

Mas Nicolas adiantou, nessa entrevista exclusiva ao Estado, que o fator principal que orienta as negociações é a liberdade que Massa deverá ter. "Devemos muito à Ferrari. Não teríamos tanto apoio em nenhum outro time. É verdade, também, que situações como aquela vivida, sábado, dentre as muitas experimentadas na Ferrari, comprometem a capacidade de um piloto obter resultados."

Se o companheiro está mais bem colocado no campeonato, o francês diz entender que um piloto tenha de trabalhar para a equipe, mas com alguns limites. "Quando Massa saiu do carro depois da classificação, na Itália, depois de ter feito um trabalho melhor que o de Fernando (Alonso), ele não foi cumprimentado. Apenas quiseram entender por qual razão Felipe não havia ajudado Fernando."

Massa não reduziu a velocidade para permitir a aproximação de Alonso, o que daria ao espanhol a oportunidade de fazer a volta no vácuo de seu carro, melhorando a marca. "Essas questões nas quais você não pode fazer o seu trabalho porque tem de pensar, primeiro, no êxito do companheiro, desestabilizam um piloto", explica o empresário. "É por isso que, se assinarmos com outra escuderia, terá de ficar bem claro que Felipe não terá de trabalhar para o companheiro."

Outro exemplo em que a obrigação de ser útil a Alonso compromete a chance de uma melhor classificação na corrida ocorre nos pit stops. "Felipe não pode fazê-los no instante em que estrategicamente seria o mais indicado para ele porque primeiro são atendidas as necessidades de Fernando."

Preocupado em não ferir Stefano Domenicali, diretor da Ferrari, Nicolas volta ao tema: "A melhor opção para nós e para qualquer piloto seria permanecer na Ferrari. Mas seria bom que não tivéssemos de pensar em nós mesmos apenas depois de ajudar o outro piloto."

É importante esclarecer, diz Todt, que não é por essa razão apenas que Massa soma bem menos pontos que Alonso. Este ano, depois de 12 provas, o espanhol, vice-líder, tem 169, e Massa, sétimo, 79. "Porém ajuda muito a explicar. Se continuarmos na Fórmula 1, quero Felipe com a cabeça livre. Tenho certeza de que o veremos diferente, como era quando tínhamos mais liberdade, em 2008."

O interesse de Todt em garantir um lugar para seu piloto provém da gana que diz perceber em Massa. "Ele realmente está disposto a mostrar que é ainda o mesmo piloto que perdeu o título por apenas um ponto em 2008, lutando contra um adversário do nível de Lewis Hamilton."

Todt pede a palavra: "Gostaria de reforçar que não temos nada contra a Ferrari, pelo contrário. Se Felipe é hoje um piloto consagrado, deve isso à Ferrari, que lhe deu tudo, mesmo em momentos bem difíceis. Estou apenas dizendo que Felipe é mais do que vimos nos últimos anos, mas não pôde demonstrar."

Os caminhos são poucos. "Teria de ser num time que desse a chance de Felipe mostrar melhor seu valor. Comecei a trabalhar há dois dias, depois de saber que não ficaríamos na Ferrari", disse Todt, que confirmou estar conversando com a Lotus.

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