André Penner / AP Photo
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Felipe Massa pede mais escolas de pilotos no Brasil e cobra maior atuação da CBA

Em 2018, Brasil ficará sem um piloto na principal categoria do automobilismo pela primeira vez desde 1969

Felipe Rosa Mendes, Estadão Conteúdo

10 de novembro de 2017 | 08h06

Felipe Massa deixará a Fórmula 1 após o GP de Abu Dabi, no dia 26 deste mês. Sem o vice-campeão da temporada de 2008 no grid do próximo ano, o Brasil ficará sem um piloto na principal categoria do automobilismo mundial pela primeira vez desde 1969. O fim de uma longa sequência brasileira na F-1 preocupa Massa, que pede mais escolas de pilotos no País e cobra uma atuação mais efetiva da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA).

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"Está faltando a escola para preparar os pilotos no Brasil", afirmou Massa, nesta quinta-feira, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. "A formação dos pilotos hoje em dia é bem mais complicada porque tem menos categorias de base e os pilotos que saem daqui tem que ter o dinheiro para sair logo e ter a chance de correr lá fora".

As dificuldades na formação, na avaliação do experiente piloto, vêm impedindo a descoberta de novos talentos brasileiros que poderiam ingressar na Fórmula 1 no futuro. "Acho que isso tem muito a ver com a nossa escola, em como está o automobilismo hoje no Brasil. Precisa de mudanças, precisa de uma federação muito mais moderna, que tente seguir o que outras entidades fazem em outros países".

Ele acredita que o Brasil poderia seguir modelo usado na França e na Alemanha, onde as federações locais atuam para buscar investimentos e intermediar negociações entre jovens pilotos e patrocinadores. "A CBA não tem como tirar dinheiro do bolso para ajudar um moleque a correr ou para montar uma categoria. Mas tem o poder e a força para correr atrás através de empresas ou até mesmo do governo para ajudar pilotos".

Para tanto, Massa aposta numa mudança de mentalidade na entidade brasileira, que passou a ser presidida por Waldner Bernardo de Oliveira em janeiro deste ano. "Precisamos de uma mentalidade diferente. Tomara que o novo presidente da CBA tenha uma ideia mais moderna", afirmou o piloto da Williams.

O brasileiro se colocou à disposição para ajudar no desenvolvimento do automobilismo brasileiro a partir do ano que vem, quando já estará fora da Fórmula 1. "Estou à disposição para o que eu puder ajudar pelo futuro do automobilismo brasileiro e pelo futuro do Brasil na Fórmula 1", disse Massa, que já criou até uma categoria de monopostos.

Entre 2010 e 2011, ele colocou dinheiro do próprio bolso para criar a Fórmula Futuro, categoria intermediária entre o kart e os carros mais potentes de GP3 e Fórmula 2. A competição poderia ser o salto para jovens pilotos brasileiros ganharem experiência em monopostos antes de se arriscarem em campeonatos maiores na Europa. "Gastei muito dinheiro, o prejuízo foi grande. Não pretendo fazer isso de novo", afirmou Massa.

Longe atualmente da posição de dirigente esportivo, o brasileiro cogita atuar em entidades internacionais voltadas para o desenvolvimento do automobilismo. Mas somente em um futuro mais distante, quando decidir abandonar as pistas.

"Poderia ser uma opção. Já recebi convite muitas vezes em outros momentos para integrar a FIA (Federação Internacional de Automobilismo). Mas agora estou num momento diferente, vou começar a pensar em outras coisas daqui para a frente", afirmou o piloto, que já revelou desejo de disputar a Fórmula E, categoria de carros elétricos organizada pela FIA, nos próximos anos.

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