Leonhard Foeger/Reuters
Leonhard Foeger/Reuters

'Fernando Alonso tem, hoje, o melhor carro', diz Vettel

Piloto alemão da Red Bull minimiza o terceiro lugar na classificação

Livio Oricchio, O Estado de S. Paulo

26 de julho de 2012 | 23h41

BUDAPESTE - Não é fácil para um jovem de 24 anos chegar à metade do campeonato de Fórmula 1, como agora, e ver-se “apenas’’ na terceira colocação, sendo que nas duas temporadas anteriores conquistou o título - no ano passado de maneira avassaladora, ressalte-se. É o caso de Sebastian Vettel, da Red Bull, o recordista absoluto em precocidade na categoria: mais jovem piloto a ser campeão do mundo, a vencer um GP, a estabelecer pole position, a chegar ao pódio, dentre outros números 0impressionantes.

Antes de começar a disputar o GP da Hungria, 11.º do calendário de 20 etapas (hoje tem os treinos livres), o alemão concedeu nesta quinta-feira, no circuito próximo a Budapeste, entrevista exclusiva ao Estado. Falou da experiência de ser o caçador e não mais a caça, das especulações que o colocam na Ferrari em 2014 e do que pensa de um eventual companheiro de equipe como Fernando Alonso. Sempre simples, espontâneo, sincero, também fez perguntas durante a conversa, por vezes informal.

Como se sente por não ser o líder do campeonato, algo que não aconteceu com você em 2011 em nenhum instante?

Claro que é melhor ser o primeiro colocado, ter mais pontos. Mas no fim, ao menos nessa altura da competição, não faz tanta diferença. Sendo líder ou terceiro, como hoje, você sempre dá o máximo numa corrida, deseja tirar tudo do carro, marcar mais pontos possíveis.

Há quem diga que você é um piloto brilhante largando na pole, mas um pouco menos eficiente quando começa a corrida um pouco mais para trás no grid. Como reage à crítica?

As vezes você larga em quinto ou décimo e não tem carro para vencer. Noutras começa atrás e sabe que dispõe de equipamento para lutar pelo primeiro lugar. Posso dizer que estou contente com as minhas corridas este ano. Ok, há ocasiões que você sai do carro e diz a si próprio que poderia ter feito mais, mas isso todo piloto sente. E tivemos eventos em que senti ter feito mais do que o meu conjunto me permitia.

Pode dar alguns exemplos?

Quando acabou a prova de Hockenheim (domingo) eu era um homem feliz. O tempo todo fui ao meu limite e ao do carro. Acabei em segundo e depois, com a punição, cai para quinto, mas é o caso em que não vencemos e ficamos contentes. Fernando (Alonso) era o mais rápido, tinha o melhor equipamento. O segundo era o máximo possível e consegui, esse é o princípio. Não temos carro, hoje, para lutar sempre pela vitória. Nesse momento, a Ferrari é a melhor. Então o que tenho a fazer é ser o máximo consistente. (Alonso usa a mesma tática ao afirmar que Red Bull, McLaren e Lotus têm os modelos mais velozes.)

Não vencer tanto e seguidamente como em 2011 faz alguns torcedores acreditarem que você não é mais o mesmo. E que agora Fernando Alonso, num ano excepcional, é o melhor. Como você responde?

Não penso nisso. Não estou aqui para ser melhor que Fernando ou para os outros verem que sou mais rápido que ele ou outro piloto. Sinto, sim, orgulho de competir com ele e com tantos pilotos tão capazes como há hoje na Fórmula 1, é um período de campeões nas pistas. Meu objetivo é ser sempre primeiro e vencê-los. E para ser campeão não significa que você tenha de vencer todas as etapas, ser o mais espetacular. Se no fim do ano me encontrar numa posição que me permita ser campeão será a recompensa por planejar minha temporada com o que disponho.

Mas Alonso reclama da Ferrari. Eles têm, então, o melhor carro?

Tiveram um começo de ano bastante difícil. Mas veja agora onde eles estão. São os mais regulares em todas as condições, na chuva, no seco, entre um asfalto e outro, frio, calor. Em Valência nós fomos muito velozes, mas não tivemos a confiabilidade, resistência da Ferrari, haja visto que Fernando venceu. A Ferrari tem o melhor pacote no momento. Em Hockenheim manteve a nós e a McLaren atrás. Isso é um fato, não a minha interpretação.

Você divide pontos com Mark Webber; Lewis Hamilton, com Jenson Button; Kimi Raikkonen, com Romain Grosjean, enquanto Alonso não tem adversário dentro da Ferrari. Representa uma importante vantagem?

Não é bom para uma equipe ter um piloto lutando pelas vitórias e outro significativamente com menos resultados. Vendo de fora, não entendo as razões de Felipe não demonstrar no cronômetro sua velocidade natural. Ele é muito veloz. As pessoas se esquecem que em 2008, não fosse o motor quebrar aqui na Hungria, no fim da prova ele teria vencido e com os 10 pontos conquistado o título. Agora está milhas distante do pódio, da luta pelo campeonato. E o carro está funcionando bem. Não compreendo o que se passa.

Chegamos ao ponto. O que diz sobre tantos rumores de que vai correr pela Ferrari em 2014?

A Ferrari é equipe mais tradicional da Fórmula 1, é especial para todo piloto ter o seu nome escrito no seu livro, mas estou muito feliz onde me encontro.

Aceitaria o desafio de ser o companheiro de Alonso, na Ferrari, onde o espanhol tem ambiente único?

Não sei. Ouço tanta coisa a respeito de seu contrato com a Ferrari que talvez tenha de refletir bem sobre isso. Dependeria da situação. Não tenho medo de lutar com Fernando no mesmo time. Faz bem para a equipe, é bom para você. A melhor forma de você produzir mais é enfrentar um desafio desses. Funciona bem mais que ter um companheiro bem mais lento. Como disse, não é útil a você e nem à escuderia.

Você e Mark Webber viveram uma fase de guerra aberta em 2010. Ele agora está na sua frente no campeonato, segundo colocado. Como vai a relação de vocês?

A competição entre nós é saudável e, dessa forma, necessária para todos. Se não for assim prejudica todo o projeto da equipe. Ao menos hoje estou contente como lidamos com a situação. Tento ser melhor que Mark e ele melhor que eu. Mas para chegarmos a esse ponto passamos pelo que você sabe há dois anos (os dois colidiram ao disputar a primeira posição no GP da Turquia).

A Red Bull criou recursos que fizeram seu carro ser quase sempre o mais eficiente nos últimos dois anos, como escapamento aerodinâmico e até a semana passada o programa especial de gerenciar o motor. A FIA, no entanto, logo em seguida os proibiu, comprometendo o desempenho da sua equipe. Como vê?

Todo time procura ler o regulamento de forma a explorar ao máximo a possibilidade de desenvolver o projeto mais rápido. Por que mudam as regras? A FIA deve saber. Com certeza acompanham nossa performance, as soluções que criamos. Talvez seja por sermos os primeiros a incorporá-las e funcionar muito bem.

Tudo o que sabemos sobre:
Fórmula 1Sebastian Vettel

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.