Ferran quer repetir êxito em Portland

Se Gil de Ferran ainda pensa em conquistar o bicampeonato da Fórmula Indy e ser pelo menos tão competitivo quanto seu companheiro de equipe Hélio Castro Neves, está na hora de ganhar uma corrida. E nada mais propício que o GP de Portland, sétima etapa da temporada, no próximo domingo (os treinos livres serão realizados nesta sexta-feira, em duas sessões). Foi nessa pista que ele conquistou duas das cinco vitórias de sua carreira: em 1999, com a Walker, e no ano passado, com a Penske. "Não sei por que, mas parece que as coisas sempre dão certo aqui." Gil continua na Penske, mas a tática vencedora terá de ser revista, já que o número de voltas foi reduzido de 112 para 98: "No ano passado, usamos a mesma estratégia do ano anterior, que era mandar pedal e fazer três paradas." Enquanto os outros pilotos faziam dois pit stops, o piloto brasileiro, com a "mistura máxima" do metanol, conseguiu abrir vantagem suficiente para parar uma vez a mais nos boxes e manter a liderança. Mas com 14 voltas a menos, fica difícil. Trabalho de box ou forma de pilotar à parte, Gil tem a seu favor o retrospecto favorável e recente, que pode ser um fator psicológico importante. E também outras lembranças mais antigas: "Isso aqui parece mais uma pista de kart, lembra o kartódromo de Interlagos. Tem umas retas (duas), umas freadas fortes e uns miolinhos." É um circuito misto permanente de 1,969 milhas. Aos 33 anos, De Ferran (como é chamado pelos americanos, sendo o ´fe´ a síbala tônica) já deixou o kartódromo, e o Brasil, para trás há muito tempo. Após começar sua carreira internacional na Europa, está nos Estados Unidos desde 1995. E depois de seis temporadas na Indy, foi campeão no ano passado (o primeiro brasileiro além de Émerson Fittipaldi). Mas agora vive um momento difícil. "Estou me esforçando, mas tem acontecido coisas sobre as quais não tenho controle", diz o piloto, deixando claro que não é sua a culpa por estar no pelotão intermediário: "Nas últimas três provas (Motegi, Milwaukee e Detroit), dei um azar tremendo." Azar mesmo? "Não, azar não existe, são problemas. Mas o que causou, eu não sei ainda." Em Detroit, domingo passado, Gil largou em terceiro e tinha assumido o segundo lugar, após uma difícil ultrapassagem sobre Bruno Junqueira, quando uma falha elétrica fez o motor de seu carro falhar e ele perder várias posições: "Isso precisa parar de acontecer. Quando eu estou para ganhar, preciso ganhar. Em Detroit, eu estava para chegar em segundo ou terceiro, deixar o Hélio nervoso... Chegar em sexto não foi bom." Hélio Castro Neves, seu companheiro de equipe, conquistou em Detroit sua segunda vitória na temporada (a primeira foi em Long Beach), chegando a 69 pontos, cinco a menos que o líder, o sueco Kenny Brack. Gil é o quinto colocado, com 44 - atrás ainda de Michael Andretti (48) e Cristiano da Matta (46) -, mas avisa que está na briga quando perguntado se ficaria contente caso Helinho fosse campeão: "Claro, mas eu não desisti ainda." Apesar de Helinho estar na frente, Gil não acha que houve uma inversão de valores na Penske em relação a 2000: "Eu já tinha reconhecido o Hélio como um grande competidor. Ele é veloz e está indo bem. Aos meus olhos, nada mudou. Para dar pau nele, eu já tinha que andar no limite o tempo todo no ano passado." Agora então, mais ainda, pois é preciso tirar uma diferença de 25 pontos. Mas Gil, um piloto experiente, não parece disposto a se desesperar, correndo o risco de fazer bobagem: "Não adianta eu esquentar muito a minha moringa. O importante é estar sempre ali em condição de vencer. Quando o sol bater na porta, a gente ganha." Enquanto isso não acontece, ele admira com nostalgia a foto de quando levantou do cockpit e ergueu os braços para comemorar a vitória do ano passado. O título, Gil conquistou vencendo apenas duas corridas - mas também com dois segundos, três terceiros e um quinto lugar. A regularidade continua. Mas de vez em quando é preciso chegar em primeiro.

Agencia Estado,

21 de junho de 2001 | 17h14

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