Ferrari acerta ao manter base do 2001

A Ferrari deu mais um passo rumo à conquista do quarto título mundial de construtores seguido ao optar, com fundamentadas razões, por manter no modelo F2002 a mesma receita técnica básica do veloz e resistente F1-2001. As imagens do novo carro deixam claro que Rory Byrne, o projetista, procurou apenas otimizar a aerodinâmica das mais variadas áreas do monoposto, sem intervir radicalmente na concepção geral do projeto. O conjunto mecânico também não tem nada que possa vir a criar uma nova escola na Fórmula 1, ao menos pelo exposto em Maranello, ontem, na apresentação do F2002. Não são conhecidos detalhes da transmissão, definida pelo presidente da empresa, Luca di Montezemolo, como ?revolucionária.? Não há indícios, contudo, de ser algo que fará a diferença na performance do F2002. Uma fonte diz que a novidade do conjunto acha-se na complexa metalurgia adotada na sua confecção, onde uma liga à base de titânio, muito leve e resistente, é o elemento mais importante. A teoria sugere, desde que o F2002 não tenha nada mesmo de revolucionário, que Michael Schumacher e Rubens Barrichello não venham a ter dificuldades sérias nas duas semanas de preparação antes do embarque para a Austrália, o que ocorrerá dia 23. O raciocínio baseia-se no fato de o F2002 ser o desenvolvimento direto do F1-2001, monoposto dos mais eficientes da história da F-1. Há 36 corridas que a Ferrari marca pontos no Mundial. A última vez que não teve um dos seus pilotos entre os seis primeiros foi no GP da Europa de 1999, numa tumultuada prova, em que choveu, parou e voltou a chover. Nos testes até agora realizados, a Williams FW24 e a McLaren MP4/17, modelos 2002, não repetiram os melhores tempos registrados pelos carros da temporada passada. O que explica-se também por estes monopostos estarem já bem desenvolvidos, depois de um ano nas pistas. Mas é também verdade que os próprios pilotos da Williams e o diretor da BMW, Gerhard Berger, já manifestaram que o modelo FW24 não nasceu tão tápido quanto eles esperavam. Talvez a perda do especialista em aerodinâmica, Geoff Willis, para a BAR, possa estar relacionada a essa expectativa frustrada. O caso da McLaren é um diferente. A Mercedes, sócia e fornecedora do motor, teve de partir para um projeto completamente novo no seu V-10. O motor utilizado ano passado desenvolvia pelo menos 30 cavalos a menos que o BMW, o melhor do campeonato. Como, além do motor, o MP4/17 também incorpora várias soluções distintas do seu antecessor, a equipe necessitará de algumas etapas para torná-lo mais competitivo. Os treinos mostraram, porém, que a resistência do MP4/17 é elevada, o que pode eventualmente favorecer o time no início, ainda que lhe falte um pouco de velocidade. Diante desse quadro, em que os adversários da Ferrari têm alguns problemas e o F2002 não quis ser inovador, em razão de não haver necessidade, é que se pode dizer que Michael Schuamcher iniciará o Mundial com chances muito boas de conquistar seu quinto título, igualando-se a Juan Manuel Fangio. Quem gosta de Fórmula 1, porém, deve torcer para que a Ferari F 2002 não ?arrase? em Fiorano, como aconteceu com o F1-2001 desde a estréia, e a Williams e a McLaren tornem seus projetos bem velozes o mais breve possível.» veja a galeria de imagens

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