Ferrari ameaça abandonar F-1 se houver motor único

Escuderia não gosta de idéia cogitada pela FIA e diz que pode deixar a principal categoria do automobilismo

Mark Meadows, Reuters

27 de outubro de 2008 | 19h48

MILÃO - A Ferrari vai rever sua participação na Fórmula 1 se a categoria de fato adotar um motor só a partir de 2010. A revelação foi feita pelo conselho diretor da equipe em nota divulgada nesta segunda-feira. A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) disse neste mês que pretende adotar o motor único para cortar custos na categoria. "O conselho da Ferrari, confirmando seu pleno apoio à redução substancial e necessária nos custos, a começar dos motores, expressa entretanto suas fortes restrições quanto ao projeto de uniformizar ou padronizar os motores", afirmou o comunicado. "A direção se reserva o direito de considerar, junto com nossos sócios, nossa presença nesta categoria." A Ferrari, controlada pela Fiat, venceu o Mundial de Construtores em 2007, quando seu piloto Kimi Raikkonen conquistou o título. No domingo, seu outro piloto, o brasileiro Felipe Massa, disputa o título de 2008 contra o inglês Lewis Hamilton, da McLaren, no GP do Brasil. Antes do GP da China neste mês, a FIA anunciou uma concorrência para que "um terceiro forneça motores e sistemas de transmissão" para as equipes em 2010, 2011 e 2012.A entidade argumentou que os custos da categoria são insustentáveis no atual ambiente econômico e devem ser reduzidos para que todas as dez equipes possam continuar competindo. O presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, que também dirige a Associação das Equipes de Fórmula 1, se reuniu recentemente com o presidente da FIA, Max Mosley, para discutir a redução de custos, e se disse satisfeito com o andamento das conversas.Mas o conselho de direção da empresa não se entusiasmou com a idéia do motor único. "O conselho sentiu que tal medida iria trair toda a razão de ser de um esporte com o qual a Ferrari está envolvido continuamente desde 1950, uma razão de ser baseada principalmente na competição e no desenvolvimento tecnológico", disse a nota. Bernie Ecclestone, o principal dirigente da Fórmula 1, apóia a proposta do motor único e nega que isso leve à saída dos fabricantes de carros. "Estamos tentando nivelar o terreno de jogo", disse ele neste mês. "Não vejo por que (os fabricantes) sairiam, eles estariam economizando horrores, espero. Todas as coisas técnicas ainda estarão aí, eles poderão mostrar todo o seu talento."

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