Hu Chengwei/AFP
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Ferrari defende jogo de equipe na China, mas vê Leclerc 'certo em ficar chateado'

Piloto monegasco teve de deixar Vettel ultrapassá-lo e ainda teve problema no pit stop

Redação, Estadão Conteúdo

14 de abril de 2019 | 11h58

Terceiro colocado do GP da China, realizado neste domingo, em Xangai, Sebastian Vettel acabou sendo beneficiado por um jogo de equipe feito pela Ferrari já na 11ª volta da prova, quando o seu companheiro de equipe, Charles Leclerc, recebeu pelo rádio do seu carro a ordem de abrir passagem para que o alemão assumisse o terceiro lugar e pudesse ganhar tempo na missão de perseguir as Mercedes de Lewis Hamilton e Valtteri Bottas, que acabaram terminando a corrida nas respectivas primeira e segunda posições.

A ordem irritou o jovem piloto monegasco, que não escondeu durante a prova o incômodo por ter de cumpri-la e depois ainda viu a estratégia de troca de pneus promovida pela equipe italiana permitir que o holandês Max Verstappen conquistasse a quarta colocação pela Red Bull e ficasse logo à frente dele na classificação final do GP chinês.

Ao comentar o episódio polêmico envolvendo os seus pilotos, o chefe da Ferrari, Mattia Binotto, defendeu o jogo de equipe adotado na pista asiática. "Isso é sempre difícil de julgar. Tentamos fazer tudo que podíamos para não perder tempo atrás das Mercedes. Essa era a única chance que tínhamos naquele momento. Tentamos, não funcionou, mas era o certo de qualquer forma para dar uma oportunidade a Seb. Como um time, nós fizemos o que podíamos fazer", afirmou.

O dirigente, porém, reconheceu que Leclerc tem razão por se decepcionar com a decisão da Ferrari e disse que "entende o sentimento de Charles", que viu a sua possibilidade de brigar por um lugar no pódio acabar de maneira precoce ao ser obrigado a abrir passagem para que Vettel o ultrapassasse. "Se Charles está chateado, ele está certo em estar chateado. Eu acho que isso é uma pena para ele, mas talvez da próxima vez isso (uma ordem de equipe) seja para a sua vantagem", completou Binotto.

O monegasco evitou polemizar com o ocorrido após a prova, mas confirmou que teve uma reunião com a chefia da equipe, na qual cobrou explicações para a decisão polêmica. "Não foi uma situação fácil. Eu estava obviamente lutando com os pneus - nós dois (ele e Vettel) estávamos - e na hora senti que Seb estava mais rápido, mas, ficando atrás de mim por algumas voltas, ele também danificou seus pneus e, quando ele ficou na minha frente, os seus pneus também estavam danificados", analisou Leclerc.

Vettel, por sua vez, qualificou como "justa" a ordem de equipe que o beneficiou, mas não escondeu o incômodo ao comentar sobre o episódio. "Eu pensei que estava mais rápido do que o Charles. Eu fui questionado (pelo rádio) se eu poderia ir mais rápido. Eu respondi que sentia que podia. Obviamente, o objetivo era tentar alcançar as Mercedes. Naquele momento, a distância já era muito grande para elas", disse o alemão.

O tetracampeão mundial disse também que não houve como chegar perto dos carros de Hamilton e Bottas. Tendo em vista esta circunstância, ele tratou de valorizar o seu terceiro lugar. "Estou feliz por estar no pódio. Nós tentamos grudar neles, mas nós simplesmente não podíamos. Eles foram muito rápidos desde o início", conformou-se.

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