Ferrari é criticada por GP da Áustria

A ordem dada por Jean Todt, diretor-esportivo da Ferrari, a Rubens Barrichello para deixar Michael Schumacher ultrapassá-lo no GP da Áustria, domingo, ainda provoca polêmica. Afinal, a equipe ganhou ou perdeu com o episódio? Perdeu. O desgaste da imagem da escuderia, que parece viver em função de Schumacher, aumentou. Além disso, dar dois pontos a mais na classificação ao alemão, para que chegasse em segundo, revela que o time já não está tão confiante em seu potencial quanto no início da temporada, quando vencia tudo.Será que dois pontos a mais para Schumacher, a 11 etapas do fim do campeonato, são mais importantes que uma eventual recuperação da péssima imagem da Ferrari no que diz respeito às questões internas de seus pilotos? Manter Rubinho em segundo enfraqueceria o argumento de que só o alemão tem direitos lá dentro.A Ferrari ganhou quase nada, mas, com certeza, perdeu muito. Nesta segunda-feira, manchetes, reportagens e editoriais no mundo todo, até na Itália, comprovavam o profundo equívoco de Jean Todt e Ross Brown. A medida não teve efeito nem no Mundial de Construtores. Os dez pontos que a equipe somou com o alemão em segundo e Rubinho em terceiro foram os mesmos que somaria com a posição original dos dois.Por outro lado, se Rubinho aceitar a proposta da Ferrari de renovar seu contrato por apenas um ano, em vez dos três que deseja, o anúncio não poderá ser feito tão cedo. Hoje, isso seria interpretado como pagamento por sua "generosidade", como Schumacher definiu a atitude do brasileiro no GP da Áustria. O que o alemão não disse é que mesmo tricampeões mundiais, como Alain Prost, em 1991, já foram dispensados pela Ferrari em pleno campeonato por não se enquadrarem nas regras de administração da equipe.Mais polêmica - Luciano Burti, da Prost, grande amigo de Barrichello, definiu em poucas palavras as conseqüências de uma eventual desobediência: "Rubinho cairia fora imediatamente." O sócio da McLaren, Mansour Ojjeh, dono de uma fortuna incalculável, viu a ordem de Todt ao brasileiro como "ruim para a imagem da equipe e da F-1". "Cada time tem sua forma de ver as coisas, mas os dois pontos dados a Schumacher, com ainda 11 GPs pela frente, trazem mais desgaste do que vantagens."Há, também, os que acham que Barrichello deveria ter atendido logo à ordem da Ferrari e não deixar para abrir passagem pouco antes da bandeirada, como o jornalista inglês Mike Doodson, há mais de 30 anos na F-1. "Ao fazer isso, Rubens quis deixar claro que aquilo estava ocorrendo por ordem da equipe." Segundo ele, a Ferrari ficou numa situação bastante embaraçosa perante a opinião pública. "O melhor teria sido deixar Michael passar logo, para que lutasse com David Coulthard pelo primeiro lugar", disse Doodson. "Havia até uma chance de os dois se tocarem e Rubens vencer a corrida."

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