Ferrari encerra temporada perfeita

Talvez o melhor parâmetro para compreender o que foi a temporada da Fórmula 1 que acabou na madrugada deste domingo, com o GP do Japão, seja a soma de pontos da equipe Ferrari, depois das 17 etapas do campeonato: 221. Todos os seus adversários, juntos, conquistaram 201. Em Suzuka, pela nona vez este ano e a quinta consecutiva, a dupla de pilotos da escuderia italiana, Michael Schumacher e Rubens Barrichello, estabeleceu uma dobradinha no Mundial. Enquanto os cerca de 800 integrantes da Ferrari comemoravam seu desempenho histórico no campeonato, as demais equipes e os dirigentes da Fórmula 1 davam graças a Deus pelo fim da temporada. Ninguém sequer pensou mesmo em outro resultado no seletivo traçado japonês que não fosse uma vitória da Ferrari. "Fiquei surpreso com nossa performance ao longo das 53 voltas", afirmou Schumacher, imaginando que seus concorrentes fossem acreditar. Ele dominou a prova da largada à bandeirada. Desta vez, porém, não houve mal-entendido entre os dois pilotos e Rubinho permaneceu imediatamente atrás do alemão, chegando em segundo lugar. Kimi Raikkonen, da McLaren, completou o pódio.Outro grande nome do GP do Japão foi Takuma Sato, da Jordan. Cerca de 150 mil torcedores o receberam como se tivesse sido campeão do mundo por ter obtido neste domingo o merecido quinto lugar. Com os dois pontos somados, a Jordan atingiu 9 no campeonato, o que lhe garantiu o sexto lugar na disputa, resultado de extrema importância para a organização.Mas o ano foi mesmo da Ferrari e, principalmente, de Schumacher. "Terminar todas as corridas entre os três primeiros mostra a qualidade do nosso trabalho, o que conseguimos é inacreditável", afirmou o piloto alemão. Além de conquistar o penta, ele somou nada menos do que 144 pontos em 17 provas, o que lhe dá a impressionante média de 8,4 pontos por etapa. Foram 11 vitórias, cinco segundas colocações e um terceiro lugar. Nunca nenhum piloto chegou perto de tamanha eficiência.O diretor-esportivo da Ferrari, o francês Jean Todt, qualificou como "um sonho" o Mundial da Ferrari. "Não poderíamos pedir mais. Michael conquistou seu terceiro título consecutivo pela Ferrari e o time, o quarto seguido entre os construtores", comemorou o dirigente, sem contar também o vice-campeonato conquistado pelo brasileiro Rubens Barrichello, na sua melhor performance na F1.Todt aproveitou para alfinetar Max Mosley, presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), e Bernie Ecclestone, promotor da Fórmula 1, que desejam aprovar um pacote de medidas técnicas e esportivas para tornar o campeonato mais competitivo. "Apesar do que estão dizendo, sabemos que tudo será mais difícil em 2003."Schumacher também abordou a questão que atinge diretamente a Ferrari. "Planejamos vir ainda mais fortes em 2003, mas esperamos também um campeonato bem mais apertado. Nossos adversários estarão mais próximos", previu o alemão. "Nós vamos lutar pelas vitórias e o título, mas não com a constância de agora."A Ferrari igualou com a dobradinha deste domingo o recorde de primeiras colocações em uma mesma temporada. Em 1988, Ayrton Senna e Alain Prost venceram, juntos, 15 das 16 provas do ano. Com o resultado no Japão, a Ferrari chegou a 15 vitórias este ano, mas em 17 etapas disputadas. Só não venceram na Malásia, onde deu Ralf Schumacher (Williams), e em Mônaco, corrida ganha por David Coulthard (McLaren).Como bem lembrou Michael Schumacher neste domingo, "os números falam por si sós". Afinal, ele bateu mais um recorde no Japão. O campeão de ?hat tricks?, pilotos que estabelecem a pole position, obtêm a vitória e fazem a melhor volta, era Jim Clark, com 11. Com o resultado em Suzuka o alemão chegou a 12 ?hat tricks?, primeiro absoluto agora. A vitória deste domingo foi a 64ª na carreira de Schumacher e a pole no sábado, a 50ª. Já é disparado o que mais ganhou GPs na Fórmula 1 - o segundo é Alain Prost, com 51. Enquanto que, com mais 15 poles se igualará a Ayrton Senna, o primeiro nesse ranking."Tudo isso é muito bonito, mas para Michael e a Ferrari", declarou Eddie Jordan, ainda antes do GP do Japão. "Para nós, para a Fórmula 1, é um desastre." E por verem dessa forma também, Mosley e Ecclestone tentarão nos próximos dias convencer cada representante das equipes, dos pilotos, dos patrocinadores e dos organizadores de corridas do Mundial a votar "sim" no seu pacote. Eles querem mudar a filosofia que orientou essa competição desde a sua origem, em 1950: privilegiar a disputa esportiva em detrimento da concorrência tecnológica e de quem pode investir mais dinheiro. Todos esses profissionais que estão sendo contatados por Mosley e Ecclestone compõem a Comissão de Fórmula 1, que dia 28, em Londres, votará a proposta.

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