Ferrari faz dobradinha em Silverstone

É preciso paciência para acompanhar a descrição das façanhas de Michael Schumacher. Neste domingo, ele venceu irrepreensivelmente o GP da Grã-Bretanha e atingiu a impressionante marca de 60 vitórias na Fórmula 1. Foi a sétima na temporada em dez etapas disputadas. Agora, por incrível que possa parecer, Schumacher tem condições de definir a conquista do seu quinto título já na próxima prova do campeonato, o GP da França, dia 21, a 11ª do Mundial. Com o resultado deste domingo, no veloz circuito de Silverstone, o alemão da Ferrari igualou o recorde de marcar pontos seguidamente na Fórmula 1, nada menos de 15 vezes. A corrida, cheia de alternativas por causa da inconstância do tempo, teve outro grande destaque: Rubens Barrichello, companheiro de Schumacher na Ferrari, segundo colocado, tendo largado da última posição no grid. Juan Pablo Montoya, com o novo e bem mais eficiente carro da Williams, ficou em terceiro. "Posso? Tem certeza?" foi como Schumacher respondeu ao jornalista inglês que lhe questionou como se sentia podendo ser campeão já em Magny-Cours? "Não pensei nisso ainda, não fiz as contas", falou o alemão logo depois de comemorar como poucas vezes a vitória. "Não é sempre que posso celebrar uma conquista aqui na Inglaterra", afirmou. Ele havia vencido a prova apenas em uma oportunidade, em 1998, com a Ferrari também. É mesmo verdade: Schumacher pode transformar-se no piloto que definiu o Mundial mais precocemente na história, dentre tantos recordes que já acumula. Como sempre acontece com os grandes campeões, atrás de Schumacher há igualmente profissionais dos mais competentes. "Nós não contávamos com a chuva durante a corrida. Confesso que no grid ainda não sabia que pneus utilizar e passei a decisão para Ross Brawn." O diretor-técnico da Ferrari o orientou a largar com os pneus para pista seca, como a maioria. "Vencer aqui era questão de escolher o pneu certo na hora certa e Ross Brawn decidiu por mim." O alemão parou na 13ª volta, de um total de 60, para trocar os pneus de asfalto seco para os intermediários. Depois, na volta 33 para reabastecer e colocar novos pneus intermediários. Na 43ª, com o tempo melhorando, fez o terceiro pit stop para instalar pneus para pista seca. Essa eficiência estratégica associada ao talento do piloto e às qualidades do modelo F2002 da Ferrari e dos pneus Bridgestone explicam por que Montoya, primeiro adversário da Ferrari, cruzou a linha de chegada apenas 31 segundos depois e o quarto colocado, Jacques Villeneuve, da BAR, com uma volta de atraso. "Sinto-me agora numa posição bastante confortável no campeonato", falou o alemão. Entre 1980 e 1981 o argentino Carlos Reutemann, da Williams, marcou pontos 15 vezes seguidas. Neste domingo Schumacher igualou a marca. Em Magny-Cours pode ser campeão do mundo e o primeiro sozinho também nesse ranking. Nos GPs de Mônaco, do Canadá e da Europa, os três últimos antes da prova em Silverstone, Juan Pablo Montoya havia largada na pole position e não conquistado nenhum ponto sequer. Neste domingo ele de novo estava em primeiro no grid. "Fiquei surpreso quando no início da corrida garoava eu podia ser até um pouco mais veloz que o Michael", comentou. Quando começou a chover mais forte, na 12ª volta, quase todos os pilotos pararam para substituir os pneus. Schumacher e a maioria dos que usam Bridgestone escolheram os intermediários. "Nós tínhamos os de chuva", falou o colombiano, que compete com Michelin, embora suspeita-se que, na realidade, também estivesse com intermediários. A Michelin saiu como grande derrotada do GP da Grã-Bretanha, porque conforme se comentava na Fórmula 1, os pneus intermediários da Bridgestone permitiram performance muito superior a seus pilotos. Com exceção de Montoya, terceiro, os demais, até a sétima colocação, competem com a marca japonesa. "Avançamos ultimamente, mas ainda há muito trabalho a ser feito", falou Montoya, referindo-se à Michelin. A dupla da BAR, Jacques Villeneuve e Olivier Panis, terminou em quarto e quinto, marcando os primeiros pontos da principal equipe da Honda, enquanto Nick Heidfeld, da Sauber, foi sexto. Felipe Massa, da Sauber, classificou-se em nono e Enrique Bernoldi, Arrows, abandonou, embora tivesse sido excepcional enquanto esteve na pista, até a 28ª volta.Confira a ordem de chegada no GP da Grã-Bretanha: 1) Michael Schumacher - Ferrari 2) Rubens Barrichello - Ferrari 3) Juan Pablo Montoya - Williams-BMW 4) Jacques Villeneuve - BAR-Honda 5) Olivier Panis - BAR-Honda 6) Nick Heidfeld - Sauber-Petronas 7) Giancarlo Fisichella - Jordan-Honda 8) Ralf Schumacher - Williams-BMW 9) Felipe Massa - Sauber-Petronas10) David Coulthard - McLaren-Mercedes11) Pedro de la Rosa - Jaguar-Cosworth12) Jenson Button - RenaultNão completaram a prova:13) Takuma Sato - Jordan-Honda14) Kimi Raikkonen - McLaren-Mercedes15) Jarno Trulli - Renault16) Enrique Bernoldi - Arrows-Cosworth17) Eddie Irvine - Jaguar-Cosworth18) Heinz-Harald Frentzen - Arrows-Cosworth19) Mika Salo - Toyota20) Mark Webber - Minardi-Asiatech21) Allan Mcnish - ToyotaClassificação do Mundial da Fórmula 1:1) Michael Schumacher (ALE) - 86 pontos2) Rubens Barrichello (BRA) - 32 pontos3) Juan Pablo Montoya (COL) - 31 pontos4) Ralf Schumacher (ALE) - 30 pontos5) David Coulthard (ESC) - 26 pontos6) Kimi Raikkonen (FIN) - 11 pontos7) Jenson Button (ING) - 10 pontos8) Giancarlo Fisichella (ITA) - 6 pontos9) Nick Heidfeld (ALE) - 6 pontos10) Felipe Massa (BRA) - 4 pontos11) Jarno Trulli (ITA) - 4 pontos12) Eddie Irvine (IRL) - 3 pontos13) Jacques Villenuve (CAN) - 3 pontos14) Mika Salo (FIN) - 2 pontos15) Heinz-Harald Frentzen (ALE) - 2 pontos16) Mark Webber (AUS) - 2 pontos17) Olivier Panis (FRA) - 2 pontosClassificação do Mundial de Construtores:1) Ferrari - 118 pontos2) Williams-BMW - 61 pontos3) McLaren-Mercedes - 37 pontos4) Renault - 14 pontos5) Sauber - 10 pontos6) Jordan-Honda - 6 pontos7) BAR-Honda - 5 pontos8) Jaguar - 3 pontos9) Arrows - 2 pontos10) Toyota - 2 pontos11) Minardi-Asiatech - 2 pontos

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