Ferrari já comemorou com mais fervor

Dos três títulos que Michael Schumacher conquistou pela Ferrari, o deste domingo foi o menos festejado, talvez pela evidência de que seria campeão no GP da França, ou no próximo domingo, na Alemanha. A não ser no pódio e entre os integrantes da Bridgestone, fornecedores dos pneus para a equipe, parceria decisiva na conquista, ninguém saiu molhado com celebrações efusivas ou com cabelos cortados, a exemplo do ocorrido em 2000 no Japão, ou ainda com o rosto cheio de bolo, resultado também da vitória em Suzuka, depois de 21 anos de abstinência de títulos de pilotos da Ferrari. Ficou claro para todo mundo a surpresa da definição do Mundial pela Ferrari. O resultado mais esperado pela equipe era nova dobradinha neste domingo em Magny-Cours, o que com Schumacher ou Barrichello em primeiro não faria diferença. Esse resultado estenderia o campeonato até Hockenheim, no próximo domingo. O presidente da Ferrari Luca di Montezemolo voou no avião particular da equipe e às 18h05 desembarcou no paddock do autódromo. Viu pela primeira vez o suntuoso motorhome da McLaren, assim que chegou, e disse: "O que é isso?" Em seguida observou Jean Todt, o diretor-esportivo, e antes mesmo de se aproximar dele perguntou: "Somos já campeões?" Havia no ar a informação de que a McLaren entrara com recurso contra a vitória, alegando que Michael Schumacher ultrapassou seu piloto, Kimi Raikkonen, sob bandeira amarela. "Vamos esperar Ron Dennis (sócio da McLaren) e em seguida comemoraremos", falou Montezomolo. A McLaren esclareceu, a seguir, que não entrou com nenhuma reclamação desportiva. A iniciativa de a direção de prova ouvir Schumacher e Raikkonen partiu dos próprios comissários do GP da França. Eles consideraram a ultrapassagem do alemão como "normal", afinal o finlandês estava fora da pista, daí as bandeiras amarelas. Todt comemorou neste domingo também seu nono ano de Ferrari. Foi na mesma prova, em 1993, que ele estreou como diretor-esportivo da equipe e, com sua liderança incontestável e capacidade de trabalho, definiu um rumo para a equipe, deu-lhe solução de continuidade, apesar de sua política de selecionar quem irá vencer ser bastante contestada. Todt estava emocionado. "Ele tinha lágrimas nos olhos", disse depois Schumacher. "Esse é o resultado da paixão e determinação com que cada integrante da equipe se dedica ao trabalho", falou o francês. Agradeceu explicitamente a Bridgestone e a Shell. Montezemolo e Todt disseram que reuniriam ainda à noite, em Magny-Cours mesmo, os 80 integrantes da equipe para celebrar a conquista.

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