Ferrari manteve posições após paradas

Não chega a macular a vitória de Rubens Barrichello, afinal ele fez uma primeira volta esplêndida que definiu os rumos da prova. Mas a Ferrari revelou que não quis se arriscar a perder pontos com uma eventual disputa entre Rubens Barrichello e Michael Schumacher, neste domingo, no GP da Europa, após as duas paradas de seus pilotos.?Não dissemos a Schumacher que evitasse atacar a Barrichello nas últimas voltas?, assegurou o assessor de imprensa da Ferrari, Luca Colajanni, à emissora estatal italiana RAI. ?Dissemos a eles que mantivessem as posições depois da segunda parada. E Barrichello estava à frente nesse momento. Era importante evitar riscos e perder 16 importantes pontos para o Mundial de Construtores?. A constante influência dos boxes ficou clara com as declarações de Barrichello na coletiva após a prova. "Não estava certo e poder voltar a pista e manter a liderança, mas assim aconteceu e, pouco depois, Ross Brawn, dos boxes, nos ordenou, tanto a mim, como ao Michael, que mantivéssemos as posições?, revelou. ?Foi uma grande corrida. Pressionamos e conseguimos o resultado. Tenho que agradecer a todos da Ferrari pelo carro que me deram, que estava fantástico, e por terem me deixado permanecer?, disse, sem completar a frase. ?Não houve decisão hoje, foi uma corrida justa e limpa?, ele falou mais tarde. ?A Áustria é parte do passado. De modo geral eu concordo com o que houve lá. Não é como se o que aconteceu aqui hoje fosse uma compensação por outra corrida. O que está feito, está feito?, completou.Cautela - A três dias da reunião da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), em Paris, que vai avaliar a postura assumida pela Ferrari no Grande Prêmio da Áustria, a escuderia não ousou repetir hoje, na Alemanha, a estratégia então empregada.Naquela oportunidade, Rubens Barrichello liderava a prova quando, a três voltas do encerramento, recebeu ordem dos boxes para que deixasse Michael Schumacher passar e vencer a corrida. Barrichello acatou a ordem, mas a cumpriu apenas a uns poucos metros da linha de chegada para que ficasse evidente a manobra. No pódio, constrangido, Schumacher fez com que o brasileiro ocupasse o primeiro lugar, quebrando o protocolo. Tudo isto irritou os comandantes da Fórmula 1, e ao público, e gerou a necessidade da reunião.Neste domingo, quando Barrichello manteve a liderança do GP de Nurburging sobre o companheiro após a segunda parada nos boxes, pairava a expectativa de que a manobra voltasse a acontecer.Tudo mudou - ?A situação era diferente. Na Áustria se tratava apenas da quinta prova do ano. Esta é a nona. E, sem ser arrogante, a situação agora está mais confortável, apesar de que nada está decidido quanto à disputa do título?, disse Schumacher.?O campeonato foi adiante desde então?, comentou o diretor técnico da Ferrari, Ross Brawn.O piloto alemão negou que tenha facilitado a vida do brasileiro hoje. ?Lutei arduamente. Tão forte que rodei?, disse referindo-se à rodada na 23ª volta, o que permitiu a Barrichello ampliar a sua vantagem em 10 segundos. Antes da segunda parada nos boxes, entretanto, Schumacher andava meio segundo mais rápido que Barrichello e já havia reduzido a diferença de cinco segundos para sete décimos de segundo. Na volta final estava dois décimos de segundo atrás. ?Rubens fez uma grande corrida, não cometeu nenhum erro, por isso mereceu vencer e eu mereci ser segundo?, admitiu.De toda maneira, a vitória do brasileiro sobre Schumacher agradou à torcida presente ao autódromo de Nurburgring, apesar de verem seu compatriota no segundo lugar, e aos fãs da modalidade, em geral. Ela devolve parte da credibilidade perdida na Áustria. E também serve para fazer média antes da reunião com os chefões da FIA.

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