Ferrari não tem como explicar o erro

A Ferrari não tem o controle do volume de gasolina que entrou no tanque do carro no pit stop de seu piloto Rubens Barrichello, no GP do Brasil no domingo? Claro que tem. O volante do modelo F2002 da Ferrari, como da maioria dos outros carros, dispõe de um display onde estão várias informações.Cada toque do dedo do piloto no botão "function" corresponde a uma página distinta no display. Assim, dentre os dados disponíveis estão temperatura da água e do óleo, por exemplo. Não é comum os pilotos recorrerem a outras páginas, como pressão do óleo e da gasolina e menos ainda o volume de combustível no tanque. Portanto, há, sim, um mostrador de gasolina no painel.Mas a responsabilidade pelo abandono de Rubinho, que teve seu carro parando no meio da corrida, é da própria Ferrari. Não é atribuição do piloto ficar calculando sua autonomia na prova. O máximo que esses profissionais fazem eventualmente é questionar uma orientação vinda dos boxes. Nenhum piloto - nem Michael Schumacher - fica pensando se tem gasolina no tanque. Quem monitora essa função é a equipe, dos boxes. (Não se fala em volume na Fórmula 1, mas em massa. E a unidade é grama ou quilograma. Um litro de gasolina corresponde a algo como 780 gramas.)A verdade é uma só: a Ferrari cometeu um erro grosseiro. Rubinho parou na 19ª volta para seu primeiro pit stop, junto de outros nove pilotos, aproveitando a entrada do safety car na pista. E nenhum deles ficou sem gasolina. Como em nenhum instante a Ferrari mencionou problemas com o equipamento de reabastecimento, seus técnicos conheciam, então, quantos quilos entrou no tanque do carro.O mais curioso é que dois fatores contribuíram decisivamente para Rubinho ainda gastar menos gasolina do que o normal: a chuva, que reduz a velocidade média da competição, e as duas vezes o safety car esteve na pista, entre as passagens 27 e 29, e depois entre as 34ª e a 37ª.

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