Ferrari ?passeia? na Austrália e assusta F-1

A pergunta de todos que gostam ou vivem da Fórmula 1 estão se fazendo, depois do resultado alarmante do GP da Austrália, é: a Ferrari tem de novo uma vantagem técnica tão grande que o Mundial já acabou? Os próprios Michael Schumacher e Rubens Barrichello, primeiro e segundo na prova do circuito Albert Park, neste domingo, muito à frente do terceiro colocado, Fernando Alonso, da Renault, afirmam que não. "Daqui a 15 dias estaremos na Malásia, em outra realidade, pista não de rua e sob calor intenso. Eu irei me surpreender se os adversários não dificultarem uma nova vitória nossa", disse Schumacher. Depois dos tempos registrados pela Williams, Renault e BAR, notadamente, na pré-temporada, dos exaustivos testes realizados, não há quem não acreditasse que o campeonato fosse começar diferente. A Ferrari poderia até vencer a corrida de Melbourne, mas não com quase uma volta sobre todos seus concorrentes como aconteceu. "Nós sabíamos já que seríamos velozes como sempre fomos nessa pista", comentou Schumacher, que venceu o GP da Austrália, abertura do Mundial, pela quarta vez nos cinco últimos anos, a 71.ª conquista na carreira. "O F2004 é fantástico e com os pneus que a Bridgestone nos forneceu ficou perfeito", disse Rubinho. À parte o projeto do carro italiano ser uma obra rara de engenharia, porção significativa da diferença de desempenho da dupla da Ferrari para Alonso, Ralf Schumacher e Juan Pablo Montoya, da Williams, quarto e quinto, e Jenson Button, BAR, sexto, por exemplo, pode mesmo ser creditada à maior adaptação dos pneus Bridgestone aos 5.303 metros do traçado australiano. Williams, Renault, BAR, McLaren, decepcionante com o oitavo lugar de David Coulthard, Toyota e Jaguar correm com Michelin. "A Ferrari hoje era invencível, mas as equipes com Michelin tiveram problemas com seus pneus, em especial os dianteiros", lembrou Patrick Head, sócio e diretor-técnico da Williams. Schumacher falou que não foi fácil manter-se em primeiro até a metade da prova. "Rubens estava realmente acelerando, tive de guiar no limite e não podia cometer erro algum, foi excitante." Desde a largada o companheiro o seguiu de perto, no máximo dois segundos atrás. Para o alemão, as 58 voltas do GP da Austrália lhe mostraram um carro mais eficiente que o do ano passado. "É mais constante, não é preciso modificar a forma de dirigir ao longo da competição." Os 34 segundos finais na frente de Alonso, na bandeirada, e um minuto para Ralf e 1minuto e 8 segundos para Montoya não eram esperados. "Foi uma surpresa." Advertiu os fãns da Ferrari, porém: "É um erro projetar o que irá ocorrer na temporada tendo por base apenas esta corrida. A temperatura baixa nos favoreceu." A Bridgestone, em geral, consegue melhores resultados com seus pneus quando não faz calor, como neste domingo, em que a temperatura era de 18 graus. Ao contrário da Michelin. Os dois próximos GPs, Malásia, dia 21, e Bahrein, 4, serão disputados com calor próximo dos 40 graus. "O bom deste fim de semana também foi que saio de Melbourne com 2 pontos a mais do que havia somado nas três primeiras etapas de 2003", falou Schumacher, mais estimulado do que nunca para vencer o campeonato pela sétima vez. A Ferrari obteve as duas primeiras colocações nos treinos livres de sexta-feira, seus pilotos largaram na primeira fila do grid, estabeleceram as duas melhores voltas da corrida e ainda registraram as maiores velocidades em reta no circuito Albert Park. Agora, já lidera o Mundial de Construtores com o dobro de pontos da Williams, segunda, 18 a 9. "Parece que estamos vivendo um sonho. Preferimos responder com fatos tudo o que ouvimos sobre a pré-temporada", afirmou Jean Todt, diretor-esportivo da equipe. A imprensa do mundo todo divulgou que seria mais difícil a Ferrari ser campeã este ano. "A partir de quarta-feira, treinaremos em Valência e Mugello, com Rubens Barrichello e Luca Badoer. O empenho e a dedicação de todos na Ferrari é uma das chaves do nosso sucesso", declarou Todt.

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