Ferrari pode ter privilegiado alemão

Fica sempre aquela pulguinha atrás da orelha, diante do histórico de favorecimento da Ferrari a Michael Schumacher: será mesmo verdade que a equipe não tinha até este sábado um câmbio reserva para substituir o quebrado no carro de Rubens Barrichello? Por conta do problema, a quebra de um rolamento, segundo o diretor-técnico Ross Brawn, Rubinho ficou ausente da sessão livre de sexta-feira à tarde e das duas sessões livres deste sábado de manhã.Colocou até um pouco mais de risco na sua atividade, ao fazê-lo sair para a primeira classificação, neste sábado, sem ter praticamente treinado com o modelo novo no circuito de Sakhir."Dei um tiro no escuro", definiu o piloto. Não é fácil completar apenas cinco voltas lentas, sexta-feira de manhã, com o asfalto bastante sujo e, de repente, sair para uma volta lançada com o acerto desenvolvido pelo companheiro, Michael Schumacher, que não teve dificuldades técnicas, a temperatura ambiente bem mais elevada, 42 graus, neste sábado, e o asfalto com outro nível de aderência.Rubinho responde à desconfiança generalizada: "A Ferrari não tem câmbio reserva. Conhecíamos os riscos de disputar o GP de Bahrein com o modelo novo, F2005." O piloto dá mais detalhes do desafio da equipe: "Nosso carro reserva, por exemplo, é o do ano passado, F2004M. Só que seu o utilizasse hoje (02), teria de correr com ele amanhã (03) e, pior, disputar a etapa seguinte também, dia 24 em Ímola." Como o motor do F2005 não pode ser utilizado no F2004M, adotado para as duas primeiras etapas da temporada, se Rubinho passasse para o F2004M, teria de competir no GP de San Marino com o mesmo carro, ou perder dez posições no grid se decidisse voltar para o F2005. O mesmo motor deve ser utilizado em dois GPs este ano.Um vôo fretado, procedente de Maranello, com um novo câmbio e outras peças de reposição, confeccionadas a toque de caixa no fim de semana na fábrica, estava previsto para pousar em Manama, a capital do Bahrein, neste sábado no início da noite. A versão que circulou no autódromo foi que a Ferrari dispunha de um câmbio reserva, mas não o intalou no carro de Rubinho porque se Michael Schumacher rompesse o seu, não teria como disputar a prova, a não ser com o carro reserva, transferindo para si o drama vivido por Rubinho.Em outras situações em que acabou preterido na Ferrari, Rubinho de alguma forma deixou transparecer seu descontentamento, como na Áustria, em 2002, quando tirou o pé para Schumacher vencer. Neste sábado, no entanto, Rubinho era a própria imagem da resignação com o incômodo de ver seus adversários treinando e ele de bermuda e camiseta, na mureta dos boxes, apenas acompanhando tudo. "É mais difícil do que estar lá dentro", afirmou."Eu penso que nossa decisão foi acertada", comentou. "Consertamos o câmbio (substituíram o rolamento quebrado) e, para não correr riscos de apresentar falha de novo e eu não poder me classificar, fiquei nos boxes", explicou. "Assim, ao menos tenho um tempo para amanhã (domingo), acho que fiz uma volta muito boa para minhas condições, e na corrida contarei com um câmbio novo." Segundo o piloto, se ocorresse com Schumacher o problema, o procedimento da Ferrari seria exatamente o mesmo que o adotado para ele. Em oposição à impressão geral no autódromo, Rubinho insistiu que a equipe não tem mesmo um câmbio reserva. "Não tem, se tivesse estaria no meu carro."

Agencia Estado,

02 de abril de 2005 | 12h50

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.