Ferrari, pronta para o contra-ataque

Se depender do otimismo de Michael Schumacher e Rubens Barrichello, nesta quinta-feira no circuito Enzo e Dino Ferrari, em Ímola, a Ferrari já nesta sexta, no primeiro treino livre do GP de San Marino, estará lutando pelo primeiro lugar novamente. "Conhecemos melhor o carro novo (F2005), depois de trabalhar duro por duas semanas e temos agora pneus que resistem à corrida inteira", afirmou Schumacher. "Quase morri de cansaço, de tanto que testamos, em Fiorano e Mugello, não tenho motivo para não acreditar que podemos vencer já aqui na Itália", disse Rubinho. Seu papel na Fórmula 1, hoje, é o de seus adversários nas últimas temporadas, lembrou Schumacher. "Em vez de eu ser caçado, agora sou o caçador. Com a diferença de pontos que há no campeonato não tenho a perder. Tenho de ir para cima, procurar ganhar a corrida, não existe outra opção." O alemão, campeão nos últimos cinco anos seguidos, sete títulos no total, soma 2 pontos apenas em três etapas e está na 14.ª colocação. O líder é o espanhol Fernando Alonso, da Renault, com 26. "Acho que Alonso deve pensar como eu, até ano passado. Às vezes, com uma vantagem dessas, é melhor administrar sua vantagem do que se arriscar demais." Cara fechada, expressão de tenso. É isso mesmo Schumacher? "Nervoso não. Ansioso, sim. Tenho experiência suficiente para me controlar. Acho que já passei por situações piores." Depois de ser bicampeão pela Benetton, em 1994 e 1995, o alemão se transferiu para a Ferrari, cuja organização nada tinha a ver com a eficiência de hoje. Só em 2000 voltou a ser campeão do mundo. "Não posso reclamar do meu passado, em especial nos últimos anos, mas não desgosto também desse desafio de ter de superar tantas dificuldades para voltar a vencer. Sinto-me ainda mais estimulado." De 1999 para cá só deu a família Schumacher no GP de San Marino. O piloto da Ferrari venceu cinco vezes e Ralf, com Williams, em 2001. Schumacher confirmou ter conversado com Jean Todt para eventualmente estender seu contrato além de 2006. "É muito cedo para definições, mas me vejo correndo até os 40." Ele tem 36 anos. Rubinho deu detalhes da preparação da Ferrari e da Bridgestone para tentar conter a série de vitórias seguidas da equipe Renault, que já soma 36 pontos entre os construtores diante de apenas 10 da Ferrari, sexta colocada. "Nós levávamos, por exemplo, 10 tipos diferentes de pneus para Fiorano e Mugello. O que deixava o carro mais rápido passava, então, pelo teste de resistência da corrida toda." Muitos tipos foram testados. "Avançamos muito nesse aspecto", afirmou. Depois da corrida de Bahrein, em que teve de abdicar de lutar pelo sexto lugar porque seus pneus acabaram, Rubinho criticou o fabricante japonês. "Compreendemos também o que quebrou no câmbio do meu carro e nos vários dias de treinos o problema não voltou a se manifestar." Ele fez questão de destacar um fato que, segundo comentou, ninguém falou. "Com o F2005 eu havia tido apenas um dia de treino antes de Bahrein e no fim de semana do GP só andei no domingo. Permaneci parado o tempo todo, com o câmbio rompido." A evolução do modelo F2005 e dos novos pneus Bridgestone somada às características do circuito devem levá-lo a iniciar sua reação no campeonato. "Apesar de tudo, este é o meu melhor início de temporada se comparado com os resultados do Schumacher, mas isso não interessa, diante do momento da Ferrari até Bahrein. As coisas aqui, aposto, serão diferentes, até essa temperatura (16 graus) nos ajudará." Rubinho foi segundo na Austrália, tem 8 pontos, 6 a mais que o companheiro.

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