Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Ferrari quer salvar ano e evitar jejum de dez anos na Fórmula 1

Equipe italiana não ganha o Mundial de Construtores desde 2008, porém sonha com façanha improvável neste ano

Ciro Campos, Felipe Rosa Mendes, O Estado de S. Paulo

09 Novembro 2018 | 05h00

A temporada 2018 da Fórmula 1 vai terminar de forma melancólica para a Ferrari e seu principal piloto, Sebastian Vettel. A equipe mais vencedora da categoria e o alemão tetracampeão mundial se ocuparão durante o GP do Brasil, domingo, em Interlagos, da improvável missão de buscar o título mundial de Construtores e não aumentar o jejum dos italianos.

A diferença para a Mercedes é grande. São 55 pontos de desvantagem. Somente uma improvável combinação ajudaria a Ferrari a assumir a ponta.

As últimas glórias ferraristas foram no GP do Brasil, onde Vettel venceu a corrida do ano passado. A 16.ª e última conquista italiana em campeonatos por equipes ocorreu há exatos dez anos, também em Interlagos. Naquele ano, Felipe Massa perdeu o título de pilotos na última curva para Lewis Hamilton.

Já na competição por pilotos, a taça mais recente veio em 2007, com o finlandês Kimi Raikkonen. Desde então a escuderia italiana apostou em pilotos renomados como Fernando Alonso e Vettel, além do retorno do próprio Kimi. Nada disso, porém, conseguiu possibilitar à Ferrari a fazer frente nos últimos anos ao domínio da Mercedes e mais anteriormente à equipe Red Bull.

A situação frustrante ficou evidente ontem, na chegada de Vettel ao circuito. Uma corrida depois de perder o título para Hamilton, o alemão demonstrava resignação. "Ainda tenho uma missão aqui, ainda quero vencer, isso não mudou. A última corrida no México foi difícil de engolir, mas desistir não é uma opção", comentou.

O desânimo de Vettel é de quem chegou a ter o campeonato nas mãos. Um dos melhores carros dos últimos anos foi entregue ao alemão, que começou bem em 2018. Foram duas vitórias nas primeiras corridas e a liderança até a 10.ª etapa do Mundial de Pilotos. 

O campeonato começou a escapar justamente em casa. Na Alemanha, o piloto liderou até a 51.ª volta das 67 previstas, até errar e bater sozinho. Hamilton ganhou a prova e a liderança do campeonato de presente naquela ocasião.

As falhas de Vettel também prejudicaram o rendimento nas etapas da Itália, Azerbaijão, França, Japão e Estados Unidos. Para piorar, quatro dessas provas foram vencidas pelo concorrente direto, Lewis Hamilton. "Sei o que precisaremos fazer no futuro para melhorar. Mesmo que de repente muitas coisas tenham acontecido neste ano, isso não mudou nada a forma como encaramos. Temos que olhar para frente, para o ano que vem", disse.

O tetracampeão do mundo chegou à Ferrari em 2015 para tentar resgatar a equipe. Naquela época a escuderia italiana convivia com a vergonha de ter passado em 2014 por uma grande crise, quando não conseguiu um pódio sequer e fez trocas no grupo de colaboradores, em um ano em que a cúpula passou a ser composta mais por ingleses do que por italianos.

NOVO SCHUMACHER

Vettel chegou com a esperança de ser o novo Michael Schumacher. Na década de 1990 o outro piloto alemão reforçou a Ferrari e resgatou as vitórias. Porém, foram quatro temporadas de espera até o objetivo se concretizar, com a conquista de cinco campeonatos em sequência, entre 2000 e 2004.

A Ferrari dos últimos anos confiou a missão de principal piloto a outro alemão, mas continua à espera dos sonhados triunfos. Vettel levou a escuderia a voltar a vencer provas, porém mais uma vez chega ao GP do Brasil, no fim do calendário, mais disposto a tentar se consolar do que sonhando em ser protagonista.

 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.