Festa agita paddock da Williams

A festa que era para ser da Ferrari, neste domingo em Ímola, transferiu-se, talvez até com maior intensidade, para dois motorhomes mais para a frente no paddock, o da Williams. Frank Williams estava visivelmente emocionado. Limitou-se, contudo, a agradecer a todos, a equipe, a BMW, a Michelin e aos patrocinadores. Talvez se lembrasse que foi neste circuito que, com um dos seus carros, Ayrton Senna perdeu a vida. Já o ex-piloto Gerhard Berger, diretor do programa da BMW, não se continha.Parecia mais um italiano a um austríaco, pela forma como comemorava a primeira vitória da associação Williams-BMW. "É incrível como tudo acontece comigo nessa pista. Não sei o que é", disse. "Foi aqui que perdi grandes amigos, em 1994 (Ayrton Senna e Roland Ratzemberger), assisti ao meu primeiro GP de Fórmula 1, marquei meus primeiros pontos no Campeonato Europeu de Fórmula 3 (1983), conquistei meu primeiro pódio na Fórmula 1 (3º colocado com Benetton, em 1986)", explicou."É bom não esquecer também que foi neste circuito que quase morri em 1989 (sofreu gravíssimo acidente na Tamburello, com sua Ferrari em chamas)." Agora ele consegue com a BMW nova vitória. Curiosamente, a última da marca alemã na F-1 havia sido com o próprio Berger no México, em 1986. "Dá mesmo para emocionar", falou com os olhos marejados. "Mas é bom não nos adiantarmos", advertiu. "Estamos um pouco à frente com nosso programa, já que a vitória era esperada para a segunda metade do campeonato", afirmou. "Ainda não atingimos o estágio de lutar pelo título, apesar de que deveremos vencer mais vezes este ano."A última vez que a Williams comemorou a primeira colocação numa etapa do campeonato foi no dia 28 de setembro de 1997, quando Jacques Villeneuve venceu o GP de Luxemburgo, em Nurburgring. Há 54 corridas Frank Williams não sabia o que é vencer na F-1. A deste domingo foi a de número 104 na história dessa equipe, a de melhor retrospecto na década de 90. Só dois times ganharam mais GPs, a Ferrari, com 137, e a McLaren, 131.A organização de Frank Williams terminou em primeiro o campeonato de construtores, considerado por ele "mais importante que o de pilotos", nove vezes, apenas uma a menos da Ferrari. Patrick Head, diretor-técnico da Williams e dono de 30% da sociedade, elogiou muito a coragem de Ralf Schumacher, mas embutiu nas palavras críticas a Michael Schumacher. "Na largada, David Coulthard (o pole position) não deixou a porta aberta para Ralf ultrapassá-lo, mas nosso piloto o fez e David não o colocou para fora, como outros o fariam." A manobra mostrou-se decisiva para o resultado. A volta de alguns recursos eletrônicos, na Espanha, dia 29, não vai tirar força da Williams, segundo Head. Berger, porém, confirmou que a equipe ainda tem problemas com o desenvolvimento do controle de tração. "Estamos longe da perfeição e acho que vários carros terão problemas em Barcelona."

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