FIA assume o controle de gastos das equipes de F-1

NICE -  Os custos de uma equipe para disputar a Fórmula 1 têm de baixar ou, pelo menos, não crescer. Essa é a orientação, básica, do presidente da FIA, Jean Todt. Na reunião de quinta do Conselho Mundial da entidade, em Paris, ficou claro que até 30 de junho o conjunto de regras que estabelece o limite de ações dos times, a fim de que não gastem mais dos cerca de 200 milhões de euros (R$ 500 milhões), vai estar definido. E a grande novidade em relação ao que existe atualmente é a FIA assumir, a partir do ano que vem, a verificação de quem as está respeitando ou não. Agora a responsabilidade é das próprias escuderias e, claramente, ineficaz.

Livio Oricchio, estadão.com.br

15 de junho de 2012 | 16h25

São exemplos de limitações impostas pelo chamado Acordo de Restrição de Investimentos (RRA), estabelecido entre as equipes: um time não pode trabalhar mais de 40 horas por semana no túnel de vento, apenas 47 integrantes da área técnica podem se deslocar aos Gps, o número de funcionários na fábrica se relaciona ao investimento declarado: quanto mais elevado, menor o quadro de profissionais.

Há outras restrições, como a carga de trabalho aos sábados nos circuitos ser das 8 às 18h30, a impossibilidade de o piloto mudar de carro no mesmo dia, dentre outras medidas que visam a conter as despesas, acertadas com a FIA, a exemplo do limite de 8 motores por piloto por ano e o câmbio não poder ser substituído por 5 etapas.

Nem todos falam a mesma língua. Há discordância significativas entre as equipes quanto ao RRA. A Red Bull, por exemplo, não o reconhece, ao menos nos termos do definido em Cingapura, em 2010. Todt sentiu a necessidade de a autoridade esportiva, FIA, tentar conciliar os interesses e definir um texto final, assinado por todos, até o fim do mês. O fato de tudo estar no ar, hoje, com a escuderia bicampeã do mundo a contestá-lo, faz com que não possa existir punição aos infratores.

Com a FIA entrando no negócio, tudo muda de figura. O presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, lembrou que foi, essencialmente, essa desunião quanto ao RRA que gerou a saída do time da associação das equipes, Fota, em dezembro do ano passado. O italiano defende o controle do RRA pela FIA.

Todt tem pressa em definir o acordo porque a data limite para uma regra valer para a temporada seguinte é sempre 30 de junho. Além da data, é preciso que todos concordem com a mudança, enquanto agora a aprovação se faz com a maioria, sem a necessidade de unanimidade. O tema 'conter despesas na Fórmula 1' é controverso e por melhor que as regras sejam definidas nas reuniões em curso com toda certeza haverá acusações ao longo de 2013.

O bom para a Fórmula 1 é que o RRA passe a ter caráter oficial com a chancela da FIA e quem não acatá-lo será punido. Todos passam a competir sob as mesmas regras de limitação de investimentos, o que eleva a importância da capacidade de quem gerencia os orçamentos e tende a tornar a disputa mais justa e equilibrada.

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