FIA decide não punir Rubinho e Raikkonen

Não há na história de mais de meio século da Fórmula 1 um acidente sem vítima tão estudado como o que envolveu mais diretamente na largada do GP da Alemanha, dia 3, Ralf Schumacher, Rubens Barrichello e Kimi Raikkonen. Nesta sexta-feira no circuito Hungaroring, os mesmos três comissários desportivos que haviam definido em Hockenheim, em princípio, a perda de dez posições no grid para Ralf, depois transformada em multa de US$ 50 mil, concluíram que Rubinho e Raikkonen são "inocentes." O comunicado distribuído pela FIA, no começo da noite, tem tons patéticos. Descreve, por exemplo, quantos graus Rubinho girou o volante da Ferrari, 2 graus, aceleração lateral máxima possível para aquela condição, não medida, mas suposta, 0,7G, ângulo de deriva na trajetória e por aí vai. O estudo desenvolvido pelo especialista e consultor da FIA, o respeitado Peter Wright, sugere que ocorreu alguma tragédia como a que matou 81 pessoas nas 24 Horas de Le Mans de 1955, quando uma Mercedes voou sobre a arquibancada. Alguém que não soubesse o resultado do acidente na Alemanha, os três de fora da disputa, pensaria no pior.Ao menos com um deles. Mais que isso: iria supor que a cada acidente a Fórmula 1 promove shows de perícia técnica como o desenvolvido para o julgamento de Rubinho e Raikkonen, como se eles tivessem feito algo de muito errado.E pensar que no GP da Grã-Bretanha, dia 20, há pouco mais de um mês, Michael Schumacher, deliberadamente, lançou sua Ferrari na frente da Renault de Fernando Alonso, na Hangar Streight, em sétima marcha a 310 km/h, obrigando o espanhol a colocar as duas rodas direitas na grama para não tocar as esquerdas na Ferrari e decolar. Ninguém sequer imaginou em solicitar a Peter Wright um estudo sobre o ocorrido para, depois, estabelecer-se uma punição ao alemão da Ferrari.O documento desta sexta é um ensaio acadêmico. Depois de toda a proposição, por vezes admitindo a dialética, surge num cantinho da segunda página, como se fosse uma informação quase não pertinente ao fato, com letras em tipologia distinta da usada em toda análise, menos chamativas: "Os comissários decidiram por não punir Rubens Barrichello e Kimi Raikkonen." O mais engraçado é que entre a assessora de imprensa da FIA, Agnes Kaiser, distribuir o comunicado e alguém conseguir lê-lo e encontrar onde estava o veredicto, demorou um bom tempinho, de tão escondido que estava o mais importante e responsável por deixar muita gente de plantão no autódromo. Coisas do glamour da Fórmula 1.

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