FIA premia Fisichella na quinta-feira

Quinta-feira (17), em Ímola, local da próxima etapa do calendário, Kimi Raikkonen e Ron Dennis, da McLaren, farão a entrega do troféu de vencedor do 32.º GP do Brasil, em cerimônia formal, ao italiano Giancarlo Fisichella e o irlandês Eddie Jordan, da Jordan. A corrida de Interlagos finalmente acabou. Ao menos pelo que se sabe. Fisichella foi declarado oficialmente hoje pela FIA, em Paris, o vencedor da terceira etapa do Mundial. "Por sorte a Fórmula 1 não é como o futebol. Aqui podemos recorrer às imagens, os erros são reconhecidos e os resultados podem ser modificados se necessário", afirmou Fisichella. Nunca na história de 54 anos da Fórmula 1 a classificação de uma corrida foi revista sem que houvesse denúncia de alguma equipe. A FIA deixou claro hoje que partiu da própria entidade a iniciativa de rever o resultado de São Paulo. As imagens de TV confirmaram que Fisichella cruzou a linha de chegada, abrindo a 56.ª volta da competição, vários segundos antes de o diretor de prova, Charlie Whiting, ter ordenado a interrupção da corrida. Com isso, passou a valer para efeito de classificação final a ordem dos pilotos na pista na 54.ª volta, duas antes da bandeira vermelha, e não a 53.ª , porque o GP Brasil não teve 55 voltas, como afirmaram a direção de prova e a empresa responsável pelo serviço de cronometragem, a suíça TAG Heuer, mas 56. Agora a FIA acena com punição aos culpados pelo erro: a direção de prova ou a TAG Heuer. "Na próxima reunião do Conselho Mundial, em junho, anunciaremos medidas para que não se repitam no futuro situações como a de Interlagos", afirmou um assessor de imprensa da FIA. Jean Campiche, da TAG Heuer, procurado, disse não ter nada a dizer a respeito do ocorrido. Até quem saiu perdendo concordou com a revisão do resultado: "As evidências apresentadas não deixam dúvida de que Fisichella é, de fato, o vencedor do GP Brasil", disse Ron Dennis. Raikkonen lembrou ter vivido sensação semelhante há pouco tempo: "Eu que venci também meu primeiro GP há dias, na Malásia, sei melhor de ninguém o que isso significa. Compreendo que Fisichella deve mesmo estar muito feliz." O italiano estava em Roma, numa promoção de seus patrocinadores, quando Eddie Jordan o chamou pelo celular, às 12h55 local. Se Jordan tivesse ouvido o que Fisichella falou a seguir talvez não tivesse gostado muito. "Essa vitória é muito importante para o meu futuro porque já venci meu primeiro GP (depois de 110 participações).Adoraria, agora, pilotar para um dos três times de ponta da Fórmula 1." Fisichella chegou a manifestar publicamente sua reprovação aos dirigentes da Ferrari quando foi a anunciada, na temporada passada, a renovação do contrato de Rubens Barrichello até o fim de 2004. Com 30 anos na época, a mesma idade de hoje, questionou: "Quando eu terei a minha chance lá?" Toda a história que se seguiu ao mais espetacular GP dos últimos tempos só deixou em Fisichella uma mágoa: "Eu sabia desde o princípio que havia vencido porque fui o único a passar pelo local dos acidentes duas vezes. Essa decisão de hoje não apaga a decepção que tive de não subir no degrau mais alto do pódio."O último piloto italiano a vencer na Fórmula 1 foi há mais de dez anos, quando Riccardo Patrese, com Williams, ganhou o GP do Japão de 1992, no dia 25 de outubro.

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