FIA vai controlar velocidade na F-1

O presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), o inglês Max Mosley, prometeu e cumpriu: a partir de sexta-feira, quando começarem os treinos livres do GP da Malásia, o grupo técnico da entidade controlará a velocidade dos carros nas curvas. "Se ela for tão mais elevada como na Austrália, na abertura do Mundial, iremos solicitar sugestões dos diretores-técnicos das equipes para contê-la", afirmou o assessor de imprensa de Mosley, o italiano Francesco Longhanesi. "Na eventualidade de não haver acordo sobre as medidas a serem tomadas, a FIA decidirá sozinha o que fazer", explicou.O conhecido Acordo da Concórdia, sucessor do Pacto da Concórdia, conjunto de normas que gerencia os regulamentos técnico e esportivo da Fórmula 1 até 2007, prevê que, nos casos de segurança, a FIA não necessita da concordância da maioria dos integrantes da Comissão de Fórmula 1 para aprovar alterações das regras. Ela é soberana.Com tantos interesses em jogo, a maioria conflitantes, parece difícil que Mosley consiga consenso dos representantes das escuderias. "Cada vez que a velocidade dos carros crescer a ponto de comprometer a segurança do evento, irei introduzir um sulco a mais nos pneus." A frase é de Mosley, dita em Mônaco, em 1996, quando anunciou que a partir de 1997 não haveria mais pneus lisos (slick) na Fórmula 1.Esse deve ser o caminho mais provável que ele seguirá e, claro, utilizando a prerrogativa de soberania da FIA para os casos de segurança. Longhanesi anunciou que o grupo de técnicos da entidade, na Malásia, será coordenado por Charlie Whiting, atual delegado de segurança do Mundial e responsável pela orientação das reformas dos circuitos do calendário. Mosley já admitiu que as restrições aerodinâmicas introduzidas pela FIA, este ano, para conter a escalada de velocidade, originada pela disputa entre os dois fabricantes de pneus, Bridgestone e Michelin, foram insuficientes."Achamos que elevar o aerofólio dianteiro em 5 cm e restringir a três planos de asa o traseiro reduziria bem a velocidade dos carros", explicou o dirigente. "Isso deveria contrabalançar o aumento de velocidade que a competição entre Bridgestone e Michelin traria à Fórmula 1", prosseguiu. "Mas erramos, os carros estão muito mais velozes do que imaginávamos e é preciso intervir em pleno campeonato."O presidente da FIA declarou, semana passada, que se nas corridas da Malásia e do Brasil a evolução dos tempos for semelhante à verificada em Melbourne, "em seguida haverá mudanças." A diferença entre o tempo da pole position do ano passado e a registrada nesta temporada na Austrália foi de 3 segundos e 664 milésimos.Nesta terça-feira, no circuito de Sepang, dentre os poucos personagens da Fórmula 1 presentes no belíssimo autódromo, as opiniões se dividiram a respeito do que irá acontecer. "A prova da Malásia de 2000 foi a última da temporada, quando os carros e os pneus estavam no auge do seu desenvolvimento", argumentou Pat Simon, diretor dos engenheiros da Benetton. "Não é o caso da Austrália, que foi a primeira do ano. Por esse motivo prevejo, aqui em Sepang, uma diferença nos tempos bem menor que em Melbourne."O piloto Luciano Burti, da Jaguar, acha que é "inocência" acreditar que em Sepang e em Interlagos não se repetirá a mesma evolução da Austrália. "A Bridgestone estava sozinha na Fórmula 1 ano passado e se preocupou em fazer um pneu seguro. Como não havia concorrência, não se interessou em buscar velocidade." Esse é, na sua visão, um dos motivos de os tempos melhorarem tanto este ano. As marcas são confrontadas com uma época em que o fornecedor único de pneu não tinha as obrigações de hoje ao enfrentar a dura concorrência da Michelin.O piloto lembra ainda que a volta de vários recursos eletrônicos, a partir do GP da Espanha, dia 29 de abril, contribuirá também para elevar ainda mais a velocidade da Fórmula 1.

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