Vivek Prakash/Reuters
Vivek Prakash/Reuters

FIA vai endurecer regras para pilotos poderem estrear na Fórmula 1

Anúncio de que russo de 19 anos vai substituir corredor da Toro Rosso gera indignação

Livio Oricchio - Enviado especial, O Estado de S. Paulo

24 de outubro de 2013 | 18h52

NICE - É provável que os pilotos continuem comentando nesta sexta, no circuito Buddh, ao sul de Nova Délhi, sobre a necessidade de se estabelecer uma condição mínima de experiência para um jovem estrear na Fórmula 1. É uma questão de segurança. Esse foi um dos temas que mais gerou discussão na quinta no paddock. Como a capital da Índia está sete horas e meia à frente de Brasília, os treinos livres já terão acabado às 8 horas desta sexta-feira. E o foco de pilotos e equipes vai estar na definição do grid, sábado, às 6h30. O anúncio de que o russo adolescente Daniil Kvyat vai substituir Daniel Ricciardo, na Toro Rosso, gerou mais que surpresa, até indignação. "Será um choque para ele, de apenas 19 anos. Trabalhava com 12 pessoas na equipe (GP3). Agora serão 700. E terá de aprender a pilotar o carro e descobrir como funciona a nova unidade motriz (motor e sistema de recuperação de energia)", disse Jenson Button, da McLaren.

Kvyat vai passar direto da GP3 para a Fórmula 1, sem nunca ter pilotado um carro com mais de 250 cavalos de potência. A Fórmula 1 terá cerca de 720 cavalos em 2014. O ex-piloto austríaco Gerhard Berger foi convidado por Jean Todt, presidente da FIA, para regulamentar as categorias de formação de pilotos, a fim de permitir que antes de chegar à Fórmula 1 passem por todos os estágios necessários. Em entrevista ao Estado, em Monza, Berger disse: "A primeira providência foi fortalecer a Fórmula 3. Agora vamos repensar as demais competições, como um todo, e fazer maiores exigências".

Em 2009, quando o espanhol Jaime Alguersuari, também de 19 anos, estreou na Fórmula 1, no GP da Hungria, pela mesma Toro Rosso, sem nunca ter dado uma única volta com um carro da categoria, o então diretor da Renault, Flavio Briatore, afirmou: "A Fórmula 1 não é mais a Fórmula 1. Isso é um risco para o menino e todos os demais".

O italiano criticou, seguido pelo presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, a estranha proibição de treinar. "Estão deformando a Fórmula 1. Deveríamos ser a vanguarda. Mas estamos é na retaguarda", disse Briatore. "Para que serve a superlicença se qualquer um pode obtê-la?"

MASSA CONFIANTE

Diante da existência ainda de vagas importantes nas escuderias, como na Lotus, Force India, Sauber e Williams, empresários de pilotos e chefes de equipe continuaram a se reunir nessa quinta, no circuito Buddh. Felipe Massa repetiu o que vem dizendo: "A Williams é um dos times com quem estamos conversando". As outras são Lotus, Force India e Sauber. Havia o rumor de que teria assinado com a equipe inglesa. "A definição do meu futuro não deve demorar muito", previu Massa. "Estou otimista."

Apesar da ameaça da justiça de a prova poder ser suspensa até que os organizadores paguem a taxa exigida por lei, por o evento não ser classificado como esporte, mas um negócio, o GP da Índia deverá ser realizado. Provavelmente será a última edição da prova. "As equipes são obrigadas a pagar um imposto alto para entrar com os carros e equipamentos na Índia. E apesar de levarmos tudo de volta, não há reembolso. Não faz sentido", disse ao Estado, em Suzuka, no Japão, um diretor de escuderia. Esse é um dos maiores impedimentos para o GP da Índia continuar no calendário.

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