FIA vai mudar o regulamento já

Diante da assustadora evolução da velocidade dos carros de Fórmula 1, verificada já na primeira etapa do Mundial, domingo na Austrália, o presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), o inglês Max Mosley, anunciou hoje: " Se ocorrer o mesmo na Malásia e no Brasil, vamos intervir imediatamente, a fim de reduzi-la." Enquanto isso, pelo menos sete das 11 equipes que disputam o Mundial iniciam amanhã, em várias pistas, novos testes, visando tornar seus carros ainda mais rápidos.Os números explicam melhor que qualquer argumentação. Enquanto Mika Hakkinen largou na pole position em Melbourne, ano passado, com o tempo de 1min30s556, Michael Schumacher, sábado, no mesmo traçado, estabeleceu a pole position com 1min26s892. Os 18 primeiros pilotos do grid registraram, este ano, tempos melhores que o da pole position de Hakkinen em 2000. De um ano para o outro a Fórmula 1 tornou-se 3 segundos e 664 milésimos mais veloz. É muito."Quando soubemos que a Michelin iria entrar na competição, estabelecemos restrições na aerodinâmica dos carros", disse Mosley. "A concorrência entre Michelin e Bridgestone acarretaria um aumento do desempenho, por isso procuramos reduzir a velocidade. Mas nós erramos ao acreditar que seria menor do apresentado na Austrália." O pior é que a prova de Melbourne foi a primeira do ano, quando tanto os carros quanto os pneus estão no início de desenvolvimento. O que não se passará quando a eletrônica voltar, a partir do GP da Espanha, quinta etapa da temporada, dia 29 de abril? Mosley sabe que haverá outro salto na performance e a segurança dos circuitos continuará a mesma. "A Fórmula 1 já está mais veloz que na época dos pneus lisos (slick). Uma das saídas seria aumentar um sulco a mais nos pneus", explicou Mosley. Hoje os pneus, tanto dianteiros quanto traseiros, têm quatro sulcos. Os pilotos irão reclamar muito. "Essa não é a saída", já adiantou Schumacher e Jacques Villeneuve, os dois que sofreram graves acidentes na Austrália.Dia 22 o Conselho Mundial da FIA irá analisar o caso. Na realidade, o Conselho apenas homologa o que a Comissão de Fórmula 1 da entidade decide. Participam da Comissão dirigentes da FIA, engenheiros de todas as equipes e representante designados pela Grand Prix Drivers Association (GPDA), a associação dos pilotos. Os vários acidentes ocorridos na corrida de abertura do Mundial deixaram claro: embora a segurança dos carros esteja mais elevada, a segurança geral do evento piorou, em razão da elevação abrupta da sua velocidade, causada, principalmente, pela maior eficiência dos pneus.

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