FIA vê talento também na medicina

Não só nas pistas, mas também fora delas, o Brasil está conquistando o reconhecimento da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) pela qualidade de seu trabalho. Depois de anos dedicados à prestação de socorro na pista do Autódromo de Interlagos, o cirurgião especializado em oncologia - e kartista nas horas vagas - Dino Altmann será o diretor-médico do Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1. A responsabilidade de Altmann é grande. Durante a corrida, até o delegado médico da FIA, Sid Watkins, que acompanha todos os Grande Prêmios da temporada, estará, pela primeira vez, sob as ordens de um brasileiro. Altmann será responsável por toda uma equipe de atendimento, formada por 160 pessoas, entre elas, 81 médicos. A nova função não intimida Altmann, que já prestou serviços em 11 edições do Grande Prêmio do Brasil - todas as vezes, como voluntário. "Vejo tudo isso como um reconhecimento ao meu trabalho", comenta, lembrando, com satisfação, que está conseguindo bons resultados em sua escalada na carreira ligada ao automobilismo. No entanto, a ambição de Altmann não é ser um possível sucessor de Watkins. "Na verdade, quero é que o serviço prestado no GP do Brasil seja considerado o melhor do mundo", afirma. Pinga - Altmann diz que não pretende seguir adiante na carreira como médico na Fórmula 1 por um simples motivo: ela não dá retorno financeiro. O cirurgião conta que apenas dois médicos, Watkins e Gary Hartstein, são remunerados pela FIA, mas os salários não compensariam o abandono da carreira de cirurgião especializado em casos de câncer."O que faço nas pistas é um hobby, uma paixão." Mas a tentação de prosseguir, diz o médico, é grande. "É como pinga, se a gente bobear..." O diretor-médico tem motivos para justificar a ambição de ter o serviço brasileiro reconhecido. Segundo Altmann, o trabalho médico em Interlagos - não só na Fórmula 1, mas também nos campeonatos de Stock Car e Fórmula Chevrolet - não tem similares na América do Sul. "Na Europa, vários GPs contam com apenas duas ambulâncias e um centro médico que não é tão bem equipado como o nosso" afirma. "Graças ao convênio com o Hospital São Luiz, temos seis ambulâncias, fora toda a estrutura de atendimento no autódromo, com duas mesas de cirurgia", explica. "Mas o principal é que temos uma equipe em constante treinamento, o que também não é muito comum." Pilotos - Como diretor-médico do GP, Altmann introduziu inovações. Trouxe pilotos para dirigir os carros de intervenção rápida, que transportam os médicos que farão o primeiro atendimento aos pilotos - ainda no cockpit - em caso de acidentes e os deixarão em condições de serem retirados do carro pelas equipes de extração. "Resolvi fazer isso por dois motivos: primeiro, é preciso que a vítima seja atendida o mais rapidamente possível e, para isso, nada melhor do que um profissional capaz até de pilotar um carro a 300 km/h", explica. "Depois, em algumas ocasiões, será preciso agir enquanto outros carros continuam na prova e os pilotos saberão como se comportar na pista."

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