Daniel Munoz/Reuters
Daniel Munoz/Reuters

Fiasco na Austrália faz McLaren pensar em usar o carro de 2012

Mal desempenho na prova pode fazer equipe repetir feito de 2003 e aposentar o modelo atual

Livio Oricchio - Enviado Especial, O Estado de S. Paulo

20 de março de 2013 | 19h39

KUALA LUMPUR - Oficialmente o GP da Malásia, segunda etapa do Mundial da Fórmula 1, começa nesta quinta-feira, com a inspeção técnica dos carros e as entrevistas programadas pela FIA e as equipes. A imprensa vai desejar saber mais de Felipe Massa e Fernando Alonso sobre o ocorrido em Melbourne, domingo. A direção da Ferrari antecipou o pit stop do espanhol e com isso ele avançou para o segundo lugar. Já Massa caiu de segundo para o quarto lugar. Desde a quarta o ritmo dos trabalhos no Autódromo de Sepang era intenso. Os primeiros treinos livres têm início às 23 horas, horário de Brasília, 10 horas de amanhã em Kuala Lumpur.

Enquanto o clima na Lotus era de distensão, com seus integrantes até conversando com a imprensa, resultado da vitória com Kimi Raikkonen no GP da Austrália, domingo, nas áreas reservadas para a McLaren e a Williams todo grupo técnico manteve-se boa parte do dia reunido para superar as sérias dificuldades apresentadas no circuito Albert Park, em Melbourne.

Jenson Button venceu a etapa de abertura do ano passado, na Austrália, e seu companheiro de McLaren na época, Lewis Hamilton, largou na pole e terminou em terceiro. Domingo, Button saiu da décima colocação, impressionantes três segundos mais lento que o pole position, Sebastian Vettel, da Red Bull, e recebeu a bandeirada em nono, 1 minuto e 21 segundos, quase uma volta, atrás do vencedor, Raikkonen. “O MP4/28 não é um carro vencedor”, disse Button, após a prova.

O time em que seus pilotos já venceram o Mundial 12 vezes - só perde para a Ferrari, com 15 - apostou num projeto inovador e, a exemplo da Ferrari, no ano passado, demonstrou em Melbourne estar sem rumo tanto no acerto quanto no desenvolvimento do modelo deste ano. É por essa razão que Martin Whitmarsh, diretor geral da McLaren, convocou todo mundo para o trabalho.

Por enquanto, Tim Goss, coordenador do projeto do MP4/28-Mercedes, não considera a possibilidade de disponibilizar a Button e seu companheiro, Sergio Perez, 11.º em Albert Park, o monoposto do ano passado, vencedor das duas corridas finais da última temporada: EUA, com Hamilton, e Brasil, Button. Whitmarsh explicou ao Estado, em Melbourne, a razão: “O MP4/27 (de 2012) chegou ao seu limite de desenvolvimento, por isso partimos para um carro com soluções inovadoras e com grande potencial. Mas isso exige tempo”.

Se por ventura Goss concluir que não vai valer a pena concentrar todos os esforços no MP4/28, até porque o conhecimento do projeto não servirá para o carro do ano que vem, quando muda tudo na F-1, a McLaren pode, sim, voltar a competir com o monoposto de 2012. As diferenças no regulamento são bem pequenas.

Nessa hipótese, não será a primeira vez que a McLaren abandona um modelo e compete com o da temporada anterior. Em 2003, o projetista Adrian Newey concebeu o MP4/18 que nunca correu. O modelo era tão crítico nos seus conceitos aerodinâmicos que tudo foi miniaturizado. Resultado: o carro não foi aprovado, várias vezes, no teste de resistência da FIA. Curiosamente, Raikkonen disputou o título com Michael Schumacher, da Ferrari, até a etapa final, no Japão, 93 a 91.

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