Filho dá nova motivação a Rubinho

Apesar de os números não provarem, muitos profissionais da Fórmula 1 afirmam que quando um piloto tem filhos, sua velocidade passa a não ser a mesma. Rubens Barrichello se apresentou nesta quinta-feira para a sua equipe, a Ferrari, pela primeira vez como pai. Domingo, em São Paulo, nasceu Eduardo, o primeiro filho dele com Silvana. "Sempre que me sinto muito feliz, como agora, acredito que minha produção cresce. Foi assim quando me casei e penso que como pai não deverá ser diferente." Depois afirmou: "Desembarquei aqui com uma vontade ainda maior de sentar do carro e acelerar." O pouco tempo que a Fórmula 1 lhe dará até o final da temporada será passado ao lado do filho. Nada de testes até o fim do ano, mesmo porque depois do GP do Japão, dia 14, as escuderias só poderão voltar a treinar a partir de 1º de janeiro. O acordo, quase definido, de mudar a proibição de dois meses e meio sem testes, caiu por terra. "Domingo à noite, depois da corrida, volto para o Brasil e no outro domingo viajo para o Japão", falou Rubinho. "Já liguei umas dez vezes para a Silvana." Numa dessas ligações, logo compreendeu o que ocorria: "Ela atendeu bem baixinho e percebi que estava dando de mamar." No aeroporto antes do embarque para os Estados Unidos, quarta-feira à noite, Rubinho tinha um conjunto de fotos tiradas na maternidade. "A não ser a testa grande, que penso ser minha, o Eduardo é bem parecido com a mãe." Quando Silvana e o bebê chegaram, quarta-feira no fim da tarde, Rubinho já não estava mais em casa. "Fui para Cumbica para pegar o vôo para cá", explicou. "Não vejo a hora de estar com eles de novo." Ao contrário do que pensam muitos, e corroborando a tese de seu companheiro de Ferrari, Michael Schumacher, o piloto brasileiro acredita que um filho é capaz de tornar um piloto ainda mais eficiente no seu trabalho. "Em primeiro lugar, não vejo uma relação direta entre as duas coisas. O que posso dizer é que sinto-me extremamente feliz, em paz, e nessas condições, produzo mais." Em Monza, dia 16, Rubinho disputou uma das suas melhores corridas na Fórmula 1. Só não venceu porque perdeu muito tempo no primeiro pit stop. Acabou em segundo. Nesta quinta-feira Juan Pablo Montoya, da Williams, assumiu ter ficado surpreso com a velocidade de Rubinho depois que perder a liderança para ao piloto da Ferrari."Vivo um momento de ascensão, sem dúvida. Em seguida ao Michael definir o campeonato, passei a receber maior atenção da Ferrari e penso que o fato de ter sido mais veloz que ele na Itália relaciona-se a essa maior atenção." Acordar no domingo de corrida sabendo que pode vencer, lembrou, lhe faz muito bem. "Saber que se tiver de vencer eu poderei vencer ajuda bastante." Com Michael na disputa pelo título, até o GP da Hungria, não lhe era permitida essa prerrogativa. A exemplo da dobradinha da Ferrari na edição do GP dos EUA do ano passado, Rubinho acredita em outro bom desempenho do time agora. "Seremos competitivos, deveremos lutar pela vitória, mas quero ver o que a Williams poderá fazer aqui." Sua preocupação é se a Michelin, fornecedora de pneus da equipe inglesa, não surpreenderá como já ocorreu este ano, na Alemanha, por exemplo.

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