Tobias Schwarz/AFP
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Fittipaldi culpa governo, Globo e empresários por ausência de pilotos brasileiros na F-1

Bicampeão da principal categoria do automobilismo entende que emissora e agentes não investiram na base

Felipe Rosa Mendes, enviado especial a Berlim, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2020 | 10h42

Uma das lendas do automobilismo brasileiro, Emerson Fittipaldi atribuiu a ausência de pilotos brasileiros na Fórmula 1 à atuação de empresários, do governo brasileiro e da própria Rede Globo, detentora dos direitos de transmissão das corridas no Brasil. Na sua opinião, a rede de televisão deveria ter investido na base do automobilismo nacional para garantir a presença de pilotos do País na categoria mais importante do mundo.

"Infelizmente, empresários, o governo brasileiro e a própria Globo não investiram como tinham de investir no esporte de base, que é o kart, que é um campeonato de fórmula, um de turismo... Esqueceram disso. E agora não temos nenhum piloto brasileiro na F-1. Da América Latina, só temos o (mexicano Sergio) Checo Pérez", disse Fittipaldi a jornalistas brasileiros durante evento do prêmio Laureus, o Oscar do esporte, em Berlim, na Alemanha.

Questionado sobre a responsabilidade que atribui ao canal de televisão, Fittipaldi reforçou sua opinião. "Porque a Globo é quem tem o maior benefício até hoje na F-1. Quanto dinheiro ela ganhou em cima da Fórmula 1? Você sabe qual é o projeto de maior benefício para a Globo? Todo ano é a F-1, com os direitos de televisão. Ela ganhou muito dinheiro e nunca investiu na base (dos pilotos). Agora eles falam 'cadê piloto brasileiro?' Investiu? Não, então não tem."

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Porque a Globo é quem tem o maior benefício até hoje na F-1. Quanto dinheiro ela ganhou em cima da Fórmula 1? Você sabe qual é o projeto de maior benefício para a Globo? Todo ano é a F-1, com os direitos de televisão. Ela ganhou muito dinheiro e nunca investiu na base
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Emerson Fittipaldi, bicampeão de F-1

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da Rede Globo, que disse que não vai se pronunciar sobre as declarações de Emerson Fittipaldi.

O Brasil está sem piloto titular na Fórmula 1 desde o fim de 2017, quando Felipe Massa deixou a categoria - hoje ele disputa a Fórmula E. Nos últimos dois anos, despontaram como possíveis representantes do País no campeonato dois netos de Emerson: os irmãos Pietro e Enzo Fittipaldi. Pietro, de 23 anos, é reserva da equipe Haas, da F-1, e é o mais perto de obter uma vaga no grid. Enzo, com 18, faz parte da Academia da Ferrari, de jovens pilotos.

Sobre o futuro, Emerson acredita que outros atletas do Brasil podem surgir no automobilismo no futuro, mas destacou o grande esforço para despontar em razão da falta de competições de base no País. "Fora os pilotos da minha família, tem muitos pilotos brasileiros talentosos chegando por aí. É muito legal ver isso. Tem vários pilotos brasileiros chegando, mas com muito esforço, né", reforçou.

Emrson também disse apostar na permanência da F-1 no Brasil. A cidade de São Paulo tem contrato somente até o fim deste ano e o Rio de Janeiro, que também negocia com a organização, ainda não começou a construir seu novo autódromo. "Acho que a história do Brasil no automobilismo é muito grande, rica, de muita tradição. Sempre vai ter (corrida no País). No momento, estou torcendo para ficar aqui em São Paulo", afirmou Emerson ao Estado.

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O esporte brasileiro tinha de ter muito mais investimento. O Brasil tem muitos atletas fantásticos, que precisam ter mais apoio
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Emerson Fittipaldi, bicampeão de F-1

O bicampeão mundial da F-1 ainda comentou sobre o cancelamento das 6 Horas de São Paulo, prova do Mundial de Endurance (WEC), marcada para 1º de fevereiro, no Autódromo de Interlagos. Fittipaldi promoveu três edições da prova e enfrentou dificuldades financeiras na organização. Neste ano, com outro promotor, a corrida foi cancelada em dezembro.

Na sua avaliação, é a falta de investimento que vem impedindo a realização de grandes eventos do automobilismo no País. "Eu acho que não é só esse evento, mas o esporte brasileiro tinha de ter muito mais investimento. O Brasil tem muitos atletas fantásticos, que precisam ter mais apoio."

* Repórter viajou a convite da organização do evento

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